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Vegetarianismo é o regime alimentar segundo o qual nada que implique em sacrifício de vidas animais deva servir à alimentação. Assim, os vegetarianos não comem carne e seus derivados, mas podem incluir em seu regime, leite, lacticínios e ovos.

O regime vegetariano não é, pois, exclusivamente vegetal e seu nome não se origina de alimentação vegetal e, sim, do latim vegetus que significa “forte”, “vigoroso”, “saudável”.

A dieta ideal de cada pessoa é única e varia segundo fatores de ordem físico-fisiológica (idade, sexo, clima, atividade, secreções endócrinas, superfície corporal), de acordo com seu modo de vida, objetivos, desenvolvimento, evolutivo etc.

Produzir 1kg de carne emite mais gases do efeito estufa que dirigir por 3 horas

Na hora de se deliciar com um farto rodízio em uma churrascaria, ninguém se pergunta o quanto o meio ambiente foi atingido para que aquele pedaço de picanha chegasse ao seu prato. Um grupo de cientistas japoneses, no entanto, teve a curiosidade de avaliar o quanto vale para o meio ambiente se tornar um vegetariano.

“Todo mundo está tentando diferentes métodos para reduzir a pegada de carbono. Mas um dos jeitos mais fáceis de fazer isso é parar de comer carne”, disse Su Taylor, da Sociedade Vegetariana do Reino Unido.

Liderados por Akifumi Ogino, os pesquisadores do Instituto Nacional de Livestock e Grassland Science, em Tsukuba, descobriram que produzir um quilo de carne emite mais gases do efeito estufa que dirigir por três horas. A maioria destes gases é liberada na forma de metano, pela flatulência do gado.

“As emissões de metano vindas da criação confinada estão diminuindo, graças a inovações nas práticas de alimentação”, disse Karen Batra, da Associação de Criadores de Gado em Confinamento de Centennial, Colorado.

Este processo produz o equivalente a 36,4 quilos de dióxido de carbono (CO2), a mesma quantidade de CO2 emitida por um carro europeu a cada 250 quilômetros percorridos.

Tendo o gerenciamento de animais e os efeitos da produção como foco, o grupo calculou os custos ambientais do aumento de criação em confinamento, do sacrifício de animais e da distribuição de carnes, segundo uma reportagem da revista New Scientist. Os dados mostram quais os efeitos para o aquecimento global, para os mananciais de água e com relação ao consumo energético.

Através do cruzamento de informações com dados anteriores, os pesquisadores conseguiram calcular o peso ambiental de uma porção de bife. Os cálculos, baseados nos métodos padrões industriais de produção de carne no Japão, não incluem os impactos da infra-estrutura e transporte da carne. Diante disso, o grupo sugere que o peso ambiental deve ser ainda maior.

A alimentação dos rebanhos também foi considerada. Para a surpresa dos cientistas, é necessária energia equivalente a manter uma lâmpada acesa por 20 dias para a produção e transporte do alimento dos bovinos.  Além disso, são usados fertilizantes compostos por 340 quilogramas de dióxido sulfúrico e 59 gramas de fosfato.

Um estudo sueco de 2003 sugere que a carne orgânica emite 40% menos gases do efeito estufa e consome 85% menos energia porque o animal é criado ao ar livre e não confinado.

Paula Scheidt, CarbonoBrasil com agências internacionais

Fonte:  Carbono Brasil, 19/07/07
http://www.carbonobrasil.com/news.htm?id=221421

Marly Winckler – socióloga

O Banco Mundial e a FAO estimam que, no início dos anos 80, entre 700 milhões e um bilhão de pessoas viviam em absoluta pobreza ao redor do mundo. Ao contrário do que muitos pensam, o pobre está ficando cada vez mais pobre a cada ano. Quarenta e três nações em desenvolvimento terminaram os anos 80 mais pobres do que eram no início da década.

No continente africano, cerca de um em cada quatro seres humanos é subnutrido. Na Ásia e no Pacífico, 28% da população passa fome. No Oriente Próximo, um em cada dez são subnutridos. A fome crônica afeta mais do que 1,3 bilhões de pessoas, segundo a Organização Mundial da Saúde.

Na América Latina, uma em cada oito pessoas vai para a cama com fome todas as noites. No Brasil mais de 30 milhões de pessoas são classificadas como indigentes pelas estatísticas oficiais. Em 1980, cerca de 44% da população vivia em estado de pobreza absoluta.

Certamente esta triste realidade está ligada a um sistema que exclui boa parte da população do acesso aos bens básicos necessários para assegurar-lhe uma vida digna. Investigar a questão da excludência passa necessariamente por uma análise profunda das premissas que fundamentam os sistemas dominantes no mundo, mas este tema foge ao escopo do presente trabalho. O que se quer aqui é chamar atenção para um importante aspecto da nossa vida diária, qual seja, nossos hábitos alimentares, e mostrar como eles se encontram hoje estreitamente ligados ao quadro de miséria, subnutrição e fome acima referido. Estão ligados também a um enorme desperdício, à degradação do meio ambiente e à má saúde da população como um todo.

Muitos estão preocupados com os graves problemas ambientais e sociais com os quais nos defrontamos a nível global, contudo, poucos estão cientes das enormes implicações que o simples ato de comer tem sobre vários destes problemas. Ao investigarmos esta questão, vemos que existem efeitos de amplo alcance na mudança fundamental das nações ocidentais, que se deu, sobretudo, depois da IIª Guerra Mundial, de uma dieta composta principalmente de alimentos de origem vegetal para uma dieta à base de alimentos de origem animal.

Por exemplo, em 1985 os norte-americanos consumiam a metade dos grãos e batatas que consumiam na virada do século, 33% mais lacticínios, 50% mais carne de gado e 280% mais frangos. Esta mudança resultou em uma dieta com um terço a mais de gordura, um quinto a menos de carboidratos e níveis de consumo de proteína que excediam grandemente as recomendações oficiais. Um dos problemas de uma dieta baseada em proteína animal está nas gorduras saturadas que a acompanham e na ausência de fibras. Tais gorduras estão associadas à maioria das ‘doenças da abundância’ (diseases of affluence – doenças cardíacas, câncer e diabetes), principais causas de morte nos países ricos.

Tradicionalmente, a alimentação humana centrou-se nos alimentos vegetais. Apenas muito recentemente os países ricos e a elite urbana de países pobres, começaram a basear sua alimentação na carne. Paralelamente, nas últimas décadas, houve um significativo aumento na produção de grãos como resultado do uso de fertilizantes químicos, pesticidas etc., enfim, o que é conhecido como revolução verde. Este excedente de grãos, contudo, não foi repassado para os que têm fome, mas para a criação de animais, que cada vez mais são criados confinados.

O estilo americano tem uma influência enorme na vida de muitos países, e isso não se dá de forma inocente ou espontânea, mas é reflexo de lobby, políticas de incentivo, marketing da indústria de alimentos entre outras medidas.

O Brasil não foge à regra ao importar esse estilo, que entra pesadamente tanto na maneira como são produzidos os alimentos, como nos hábitos que se alteram.

Quase metade dos cereais produzidos no Brasil são destinados a alimentar animais de criação. O feijão, tradicionalmente fonte importante de proteína de nossa dieta cede terreno ao soja (para alimentar animais e exportar). Seu preço em conseqüência se tornou muito elevado ficando fora do alcance de muitos.

Em seu lugar aparecem um sem-número de junky food, macarrões vitaminados e outros produtos que, na verdade, não alimentam, apenas “enchem a barriga”. E os ricos estão ficando doentes por consumirem carne e seus derivados em demasia, o que resulta, como já mencionado, em problemas de saúde de vários tipos.

A crescente demanda por produtos animais resultou em uma vasta realocação de recursos, promoveu a degradação dos ecossistemas globais, desmantelou e deslocou culturas indígenas em todo o mundo. O impacto na saúde e na desnutrição de boa parcela da família humana tem sido igualmente devastador.

Rastreando estes problemas até suas raízes em nossos hábitos alimentares – nossa demanda por alimentos provenientes do reino animal – vemos que ao mudar nossas dietas podemos desempenhar um importante papel no sentido de ajudar a curar a Terra e a criar um mundo sustentável para nossos filhos.

Distribuição de Recursos Alimentares e Fome Mundial

A fome no mundo é uma realidade dolorosa, persistente e desnecessária. No momento, existe suficiente terra, energia e água para bem alimentar mais do que o dobro da população humana, contudo a metade dos grãos produzidos é destinado aos animais enquanto milhões de seres humanos passam fome. Em 1984, quando centenas de etíopes morriam diariamente de fome, a Etiópia continuava a cultivar e exportar milhões de dólares em alimento para o gado do Reino Unido e outras nações da Europa.

Número de pessoas que morreram como resultado de desnutrição e fome em 1992: 20.000.000

Número de crianças que morrem em decorrência da desnutrição e fome a cada dia: 38.000

Freqüência com que morre uma criança na terra como resultado de desnutrição e fome: a cada 2,3 segundos

Quantidade de cereal e soja, em quilos, necessária para produzir um quilo de carne hoje nos Estados Unidos: 7

Pessoas que podem ser nutridas usando a terra, a água e a energia que seriam liberadas se os norte-americanos reduzissem seu consumo de carne em 10%: 100.000.000

Utilização de Recursos

A criação de gado tem impactos enormes e de amplo alcance sobre a biosfera em razão dos alimentos animais serem muito menos eficientes em sua produção do que os alimentos vegetais. Muito daquilo com que alimentamos o gado se transforma em subprodutos não comestíveis ou simplesmente é desperdiçado nos processos metabólicos.

Devido a esta ineficiência básica, cultivar cereais e grãos para produzir alimentos animais para grande número de pessoas requer a alocação de vastas quantidades de terra, água e energia.

Nos Estados Unidos, mais de um terço de todo o material bruto – incluindo combustíveis fósseis – consumido de um modo geral é destinado à criação de gado.

No Brasil, 44% das culturas destinam-se a produzir alimentos para os animais, isto é, quase a metade de tudo que nosso solo produz é usado para alimentar animais, que, por um lado, ao serem transformados em alimentos só podem nutrir reduzida parcela da população, uma vez que a vasta maioria não tem poder aquisitivo para comprar carne e, por outro, geram bem menos quantidade de alimentos. 23% da terra cultivada no Brasil é usada atualmente para plantar soja, metade da qual é exportada.

Quantidade em quilos de grão e soja usados para produzir um quilo de alimento a partir de:

    Carne de gado 7,2
    Porco
    2,7
    Galinha/ovo
    1,3

Quantidade de nutrientes desperdiçados ao reciclar grão e soja através do gado:

    Proteína 90%
    Carboidratos
    99%
    Fibra
    100%

Quantidade de pessoas que poderiam ser alimentadas com cereais empregados na produção de um bife de 225 g: 40

Utilização da Terra

Criar gado requer o uso intensivo de vastas quantidades de terra tanto no caso dos animais serem alimentados com produtos obtidos na colheita ou deixados pastar em pastagens ou florestas. Em qualquer dos casos a terra é muitas vezes destituída de sua capacidade produtiva – às vezes de modo permanente.

Quantidade de terra no mundo destinada a pastagens para o gado: metade

No Brasil, um exemplo, em Santa Catarina 2,4 milhões de hectares são explorados por lavouras, 2,5 milhões por pastagens e 1,9 milhões por matas e florestas.

Quantidade de terra própria para o plantio destinada para produzir alimento para o gado nos Estados Unidos: 64%

Quantidade de terra própria para o plantio destinada à produção de frutas e vegetais nos Estados Unidos: 2%

Produtos comestíveis que podem ser produzidos em um hectare de terra boa em quilos:

    Feijão 11.200
    Maçã        22.400
    Cenoura   34.900
    Batata      44.800
    Tomate    56.000
    Carne           280


Consumo de Grãos

    Alimentar a população do mundo atual com uma dieta baseada no estilo americano requereria 2 ½ vezes a quantidade de grãos que os plantadores mundiais produzem para todos os fins. Um mundo futuro de 8 a 14 bilhões de pessoas alimentando-se com a ração americana de 220 gramas diários de carne gerada a partir do consumo de grão  não passa de um vôo da fantasia
Worldwatch Institute

Durante este século a mudança fundamental na dieta das nações ocidentais de alimentos vegetais para alimentos animais resultou em uma mudança paralela na produção mundial de grãos destinados à alimentação humana para grãos destinados à alimentação de animais. O consumo de grãos pelo rebanho animal está aumentando duas  vez mais rapidamente do que o consumo de grãos pelas pessoas.

Quantidade de soja cultivada nos Estados Unidos consumida pelo gado: 90%

Quantidade de milho cultivado nos Estados Unidos consumido pelo gado: 80%

Quantidade de milho cultivado no Brasil consumido pelos animais de criação: 90%

Quantidade total de grãos produzidos nos Estados Unidos consumidos pelo gado: 70%

Quantidade de grãos exportados pelos Estados Unidos consumidos pelo gado: 66%

Quantidade da colheita mundial de grãos consumidos pelo gado durante os anos oitenta: Metade

Consumo de Energia

    “O óleo é usado na indústria da carne como combustível para  transporte e tratores, nos fertilizantes químicos e nos pesticidas de uma maneira tal que os produtos animais podem ser considerados subprodutos do petróleo”
Worldwatch Institute

A produção de ração é um processo que requer intenso consumo de energia. Os agricultores precisam bombear água, arar, cultivar e fertilizar os campos; depois colher e transportar a colheita. Fazer funcionar as indústrias que transformam estas enormes quantidades de colheita altamente consumidora de energia em carne, aves, lacticínios e ovos requer um consumo de energia ainda maior.

Calorias de combustível fóssil gastas para produzir 1 caloria de proteína de carne: 78

Calorias de combustível fóssil gastas para produzir 1 caloria de proteína de soja: 2

Quantidade total de energia gasta na agricultura dos Estados Unidos destinada à criação de gado: Quase a metade

Energia gasta para produzir um quilo de carne de gado alimentado com ração: Equivalente a 1,7 litros de gasolina

Consumo de Água

A produção de ração e de forragem para o gado requer enorme quantidade de água, resultando na escassez de água em certas áreas. Lençóis de água tais como o gigantesco aqüífero Ogalalla nos Estados Unidos, estão sendo rapidamente esgotados. No oeste americano, a escassez exige que setores industriais, comerciais e residenciais limitem o uso de água. Raramente os consumidores são advertidos de que as proibições de regar os gramados, lavar automóveis e outras devem-se, em parte, à grande quantidade de água que é extraída para o cultivo de grãos para o gado e outras criações.

Atividade responsável por mais da metade de toda a água consumida para todos os fins nos Estados Unidos: Criação de gado

Número de litros de água necessários, na Califórnia, para produzir 1 quilo comestível de:

    Tomates 39
    Alface
    39
    Batata
    41
    Trigo
    42
    Cenoura
    56
    Maçã
    83
    Laranja
    111
    Leite
    222
    Ovos
    932
    Galinha
    1.397
    Porco
    2.794
    Carne de gado
    8.938

Tempo que leva para uma pessoa usar 20.000 litros de água no banho (5 duchas por semana, 5 minutos por banho, com um gasto em média de 15 litros por minuto): Um ano

Questões Populacionais

O aumento do consumo de carne, aves e lacticínios gerou uma explosão na população de gado no mundo todo. O número de cabeças de gado dobrou nos últimos 40 anos, e no mesmo período a população de aves triplicou.

População Mundial Atual:

    Seres Humanos: 5,4 bilhões
    Gado:
    1,3 bilhões
    Porcos, ovelhas, cabritos, cavalos, búfalos e camelos:
    2,7 bilhões
    Aves:
    11 bilhões

Meio Ambiente

O uso inadequado do solo e dos recursos requeridos para suprir o mercado com alimentos provenientes do reino animal agravou e acelerou a crise ambiental.

Poluição da Água

O consumo excessivo de produtos animais desempenha papel proeminente na poluição da água. A explosão da população de animais de criação resultou em uma paralela explosão de resíduos animais. Os resíduos das fazendas-empresas, rapidamente inundaram os mercados de estrume resultando no acúmulo de montanhas de resíduos animais. O nitrogênio proveniente destes resíduos é convertido em amônia e nitrato e infiltra-se nas águas do subsolo e da superfície, poluindo poços, contaminando rios e riachos e matando a vida aquática. De acordo com a Agência de Proteção do Meio Ambiente dos Estados Unidos, cerca da metade dos poços e todos os córregos do país estão contaminados por poluentes oriundos da agricultura.

Na Holanda, os 14 milhões de animais que ocupam os estábulos do sul produzem tanto esterco que o nitrato e o fosfato saturam camadas da superfície do solo e contaminam a água. A amônia proveniente da indústria de criação de animais é sozinha a maior fonte de deposição ácida nos solos holandeses, provocando mais prejuízos que os automóveis e as fábricas, segundo o Instituto Nacional de Saúde Pública e Proteção Ambiental do país.

Produção de excremento pela criação de animais dos EUA: 104.000 quilos por segundo

Resíduos criados por um  rebanho de 10.000 cabeças: igual a uma cidade de 110.000 habitantes

Poluição da água atribuível à agricultura, incluindo a vazão de solo, pesticidas e estrume: Maior do que todas as fontes industriais e municipais combinadas

Erosão do Solo

A utilização excessiva da terra causada pela criação de gado resultou na contínua perda da camada fértil da terra. Por todo o globo, a terra, que é a própria base da produção de alimentos, está sendo rapidamente erodida. Pressões da competição muitas vezes forçam os fazendeiros a optar por métodos de produção de baixo custo que deixam o solo exposto ou a submeter terras fracas à produção intensiva, resultando em sua ruína.

Perda corrente anual da camada fértil da terra na agricultura nos Estados Unidos: Mais de 5 bilhões de toneladas

Terra própria para o cultivo nos Estados Unidos que foi permanentemente removida devido à excessiva erosão: Um terço

Terra fértil perdida na produção de um quilo de carne: 77 quilos

Erosão do solo associada a culturas destinadas à alimentação do gado e à produção de pastagens: 85%

Camada superior de solo perdida anualmente no mundo em terras utilizadas para a agricultura: 26 bilhões de toneladas

Tempo necessário para a natureza formar cada 2,5 cm de terra fértil: 200 a 1000 anos

Causa mortis histórica de muitas grandes civilizações: Esgotamento do solo

Desertificação

O uso intensivo da terra encorajado pela necessidade de produzir alimentos de origem animal de modo competitivo fez com que a desertificação se espalhasse amplamente em muitos países. Desertificação é o empobrecimento de ecossistemas áridos, semi-áridos e sub-áridos pelo impacto das atividades humanas.
As regiões mais afetadas pela desertificação são as áreas produtoras de gado, inclusive o oeste americano, a América Central e do Sul, a Austrália e a África Subsaariana.

A desertificação dos campos e florestas deslocou a maior massa migratória na história do mundo. Na virada do século, mais de metade da população viverá em áreas urbanas.

Quantidade de terra tornada improdutiva pela desertificação anualmente no mundo: 21 milhões de hectares

Percentual da terra no mundo que sofre desertificação: 29%

Principais causas de desertificação:

Pastoreio excessivo
Cultivo intensivo da terra
Técnicas impróprias de irrigação
Desflorestamento
Falta de reflorestamento

Fator principal em todos os casos: Criação de gado

Florestas Tropicais

A cada ano cerca de 200.000 quilômetros quadrados de florestas tropicais são destruídas de forma permanente ocasionando a extinção de aproximadamente 1000 espécies de plantas e animais.

Na América Central as fazendas de gado destruíram mais florestas do que qualquer outra atividade.

90% dos novos fazendeiros da Amazônia abandonam as terras em menos de 8 anos, em razão do solo se encontrar totalmente esgotado.

Florestas derrubadas na América Central para dar lugar a fazendas de gado: 25%

Taxa atual da extinção das espécies devido à destruição das florestas tropicais e seus habitats: 1000/ano

Remédios disponíveis hoje derivados das plantas: um quarto

Obs. Este artigo é amplamente baseado em Our Food Our World – The Realities of an Animal-Based Diet, EarthSave Foundation, Santa Cruz, 1992. Tradução e adaptação de Marly Winckler.

São Paulo, janeiro de 1995

Leituras afins:

1. Brown, Lester R. (org.), Salve o Planeta! Qualidade de Vida – 1990 – Worldwatch Institute. Ed. Globo, São Paulo, 1990.
2.  Lappé, Frances Moore. Dieta Para um Pequeno Planeta, Ground, São Paulo, 1985.
3.  Rifkin, Jeremy. Beyond Beef. The Rise and Fall of the Cattle Culture. A Dutton Book, New York, 1992.

oão Meirelles Filho

Eu não aceito que, em meu nome, o governo federal brasileiro conceda autorização para o desmatamento da Amazônia, e você, aceita? Eu não autorizo que o dinheiro público, de bancos oficiais, seja empregado para a criação de bois na Amazônia, e você, autoriza?

Você e eu somos bois-de-presépio ou cidadãos do planeta?

Amazônia

Você acredita que a sua forma de viver, alimentar-se, comportar-se, construir a sua casa, presentear seus amigos, visitar os lugares ou votar possua relação direta com a Amazônia?

Caso afirmativo, você aceitaria avaliar se está comendo ou não a Amazônia? A cada dia as pesquisas científicas e os relatórios ambientalistas são mais taxativos: não podemos nos dar ao luxo de esperar que as pessoas se convençam sobre a gravidade da situação da Amazônia. Será tarde demais quando fazendeiros, garimpeiros, madeireiros, funcionários públicos, representantes do poder público e a população em geral , despertarem para o fato.  Teremos perdido a maior parte da Amazônia.

Os fatos

Em cinco séculos 95% das populações indígenas desapareceram. Nações inteiras foram extintas pelas doenças, pela escravidão e pelas armas trazidas pelos europeus. As Nações que sobreviveram, cerca de 180, com mais de 200 mil indivíduos (1% da população da região), contam com poucos aliados  entre os funcionários públicos e organizações da sociedade civil para se defenderem de garimpeiros, caçadores, ladrões de madeira e grileiros.

Em termos sociais a Amazônia é uma das regiões de maiores desigualdades econômicas e sociais do planeta. Esta é, de longe, a mais violenta do país, respondendo pela maioria dos casos de morte em conflitos pela terra, número de trabalhadores escravizados em fazendas de pecuária e pela grande insegurança das áreas urbanas. Os 23 milhões de habitantes estão longe de se beneficiar da biodiversidade, da etnodiversidade, de suas riquezas culturais e da produção de madeira e minerais. O IDH (Índice de Desenvolvimento Humano, da ONU) da região equivale ao dos paises mais pobres do planeta.

Em termos ambientais oferecemos, ano apos ano, o maior espetáculo de pirotécnica ao queimarmos mais florestas para virarem pasto. O desmatamento e as queimadas da Amazônia tornam o Brasil um dos principais paises emissores de gases que contribuem para o efeito estufa. As mudanças climáticas são irreversíveis.

Em termos de biodiversidade, em apenas 4% da superfície terrestre a Amazônia continental deve abrigar mais de 1/5 da biodiversidade do planeta. Nas áreas mais comprometidas, como no entorno de Belém, por exemplo, ¼ das aves estão ameaçadas de extinção. Uma vez extinta uma espécie, esta extinção é para sempre.

Em termos ambientais, de 1.500 a 1.964 desmatamos menos de 1% da Amazônia. Nos últimos 40 anos desmatamos cerca de 16% da região. uma área equivalente a duas vezes a Alemanha (ou três estados de São Paulo) em pasto. Esta área de 750 mil km2 é duas vezes maior que a área agrícola do pais. Pior, 1/4 desta área encontra-se abandonada porque o objetivo de derrubar o mato foi o de tomar a posse da terra, para dizer: aqui tem dono.

No momento estamos perdendo cerca de 24 mil km2 de cobertura nativa ao ano. Isto significa que a cada ano estamos desmatando uma área equivalente a 2/3 da Bélgica (ou do estado de Sergipe).

A cada ano perdemos cerca de 1% do que resta da floresta amazônica. Se nada for feito teremos perdido mais da metade da floresta nos próximos 30 anos. Eu não autorizei. Você autorizou?

Estamos apenas medindo a febre e não combatendo as causas da doença. A febre em um doente alerta que algo vai errado, é apenas um índice. Há grande comoção quando os índices de desmatamento são expostos ao vexame público, e pouco interesse em discutir as verdadeiras razões de seu crescimento.

São os grandes fazendeiros! – apontam uns! É a expansão da soja! – sugerem outros. É a abertura de estradas, a ineficácia e ausência do poder público, o aumento das fazendas, os madeireiros, os garimpos, e assim por diante… Será que não continuamos na periferia do problema? Será que estamos apontando apenas as conseqüências de atos que praticamos em nosso dia-a-dia, de forma relapsa, impensada e, digamos, irresponsável?

Os responsáveis somos nós!

Eu não aceito que, em meu nome, o governo federal brasileiro conceda autorização para o desmatamento da Amazônia, e você, aceita? Eu não autorizo que o dinheiro público, de bancos oficiais, seja empregado para a criação de bois na Amazônia, e você, autoriza?

Você e eu somos bois-de-presépio ou cidadãos do planeta? Você acredita que a sua forma de viver, alimentar-se, comportar-se, construir a sua casa, presentear seus amigos, visitar os lugares ou votar possua relação direta com a Amazônia?

Caso afirmativo, você aceitaria avaliar se está comendo ou não a Amazônia? A cada dia as pesquisas científicas e os relatórios ambientalistas são mais taxativos: não podemos nos dar ao luxo de esperar que as pessoas se convençam sobre a gravidade da situação da Amazônia. Será tarde demais quando fazendeiros, garimpeiros, madeireiros, funcionários públicos, representantes do poder público e a população em geral , despertarem para o fato.  Teremos perdido a maior parte da Amazônia.

Os fatos

Em cinco séculos 95% das populações indígenas desapareceram. Nações inteiras foram extintas pelas doenças, pela escravidão e pelas armas trazidas pelos europeus. As Nações que sobreviveram, cerca de 180, com mais de 200 mil indivíduos (1% da população da região), contam com poucos aliados  entre os funcionários públicos e organizações da sociedade civil para se defenderem de garimpeiros, caçadores, ladrões de madeira e grileiros.

Em termos sociais a Amazônia é uma das regiões de maiores desigualdades econômicas e sociais do planeta. Esta é, de longe, a mais violenta do país, respondendo pela maioria dos casos de morte em conflitos pela terra, número de trabalhadores escravizados em fazendas de pecuária e pela grande insegurança das áreas urbanas. Os 23 milhões de habitantes estão longe de se beneficiar da biodiversidade, da etnodiversidade, de suas riquezas culturais e da produção de madeira e minerais. O IDH (Índice de Desenvolvimento Humano, da ONU) da região equivale ao dos paises mais pobres do planeta.

Em termos ambientais oferecemos, ano apos ano, o maior espetáculo de pirotécnica ao queimarmos mais florestas para virarem pasto. O desmatamento e as queimadas da Amazônia tornam o Brasil um dos principais paises emissores de gases que contribuem para o efeito estufa. As mudanças climáticas são irreversíveis.

Em termos de biodiversidade, em apenas 4% da superfície terrestre a Amazônia continental deve abrigar mais de 1/5 da biodiversidade do planeta. Nas áreas mais comprometidas, como no entorno de Belém, por exemplo, ¼ das aves estão ameaçadas de extinção. Uma vez extinta uma espécie, esta extinção é para sempre.

Em termos ambientais, de 1.500 a 1.964 desmatamos menos de 1% da Amazônia. Nos últimos 40 anos desmatamos cerca de 16% da região. uma área equivalente a duas vezes a Alemanha (ou três estados de São Paulo) em pasto. Esta área de 750 mil km2 é duas vezes maior que a área agrícola do pais. Pior, 1/4 desta área encontra-se abandonada porque o objetivo de derrubar o mato foi o de tomar a posse da terra, para dizer: aqui tem dono.

No momento estamos perdendo cerca de 24 mil km2 de cobertura nativa ao ano. Isto significa que a cada ano estamos desmatando uma área equivalente a 2/3 da Bélgica (ou do estado de Sergipe).

A cada ano perdemos cerca de 1% do que resta da floresta amazônica. Se nada for feito teremos perdido mais da metade da floresta nos próximos 30 anos. Eu não autorizei. Você autorizou?

Estamos apenas medindo a febre e não combatendo as causas da doença. A febre em um doente alerta que algo vai errado, é apenas um índice. Há grande comoção quando os índices de desmatamento são expostos ao vexame público, e pouco interesse em discutir as verdadeiras razões de seu crescimento.

São os grandes fazendeiros! – apontam uns! É a expansão da soja! – sugerem outros. É a abertura de estradas, a ineficácia e ausência do poder público, o aumento das fazendas, os madeireiros, os garimpos, e assim por diante… Será que não continuamos na periferia do problema? Será que estamos apontando apenas as conseqüências de atos que praticamos em nosso dia-a-dia, de forma relapsa, impensada e, digamos, irresponsável?

Os responsáveis somos nós!

Será que estamos fazendo as perguntas certas? Quem é responsável pela maior parte dos desmatamentos? Não será difícil responder: as propriedades rurais dedicadas à pecuária. Trata-se apenas das grandes fazendas? Não, as pequenas e médias têm na pecuária bovina e bubalina (de búfalos) sua principal atividade.

E por que expande a pecuária na Amazônia? Certamente um fazendeiro tradicional irá comentar: “porque é mais barato produzir carne na região, a terra tem pouco valor, a mão de obra é barata, há pouca fiscalização dos órgãos ambientais, trabalhistas e da receita federal”.

Esta, no entanto é uma resposta insatisfatória. Afinal, esta carne vai para algum lugar. Alguém consome este produto. Os dados são claros: mais de noventa por cento da carne produzida na Amazônia é consumida no próprio Brasil, a maior parte nas regiões de maior poder econômico – Sul e Sudeste. O crescimento do consumo de carne bovina é significativo. A cada dia mais e mais pessoas querem a sua picanhazinha e a sua maminha.

Em quarenta anos, de 1964 a 2004, o rebanho bovino da Amazônia saltou de 1,5 para 60 milhões de cabeças. Parte deste rebanho é clandestino. Este lote de animais prontos para morrer para saciar o desejo de comer carne bovina representa 1/3 do rebanho brasileiro. Três cabeças de boi para cada habitante da Amazônia. No Brasil já há mais bois que gente!

A pecuária é a principal atividade econômica rural da Amazônia. Não se trata apenas de grandes e médios propriedades (estes são 25 mil famílias com áreas acima de 500 hectares). A maior parte dos 400 mil pequenos proprietários rurais da Amazônia tem na pecuária a sua principal fonte de renda (seja pelo fracasso das demais atividades econômicas, seja pela completa incompreensão do que seja a natureza amazônica ou impaciência com a Natureza, preferindo carboniza-la a conduzir a dança da sustentabilidade).

Lembremos que estamos em um país onde a maioria vive em grande carestia. Se não fosse devido o baixo poder aquisitivo do brasileiro o consumo de carne seria pelo menos o dobro. O brasileiro come, em média, um bife pequeno por dia (100 gramas) – 36 kg de carne/ano.

Um boi de 16 arrobas tem em média 240 kg de carne. Se você comer carne bovina durante sua vida (72 anos – a idade média do brasileiro), isto significa um boi a cada 6,6 anos, 11 bois inteiros durante a vida – 2,6 toneladas de carne! Destes 11 bois, pelo menos 4 terão vindo da Amazônia, ou seja, a cada três dias o brasileiro come um bife da Amazônia.

Sabe-se que este é um índice médio. O consumidor  da classe alta e média chegam a comer mais de 3 vezes esta cifra – 108 kg/carne bovina/ano. Ou seja, um caminhão com 32 bois, mais de 7,5 toneladas de carne em sua vida!

Quanto custa para a Humanidade este bife?

A insistência do modelo mundial de ocupação do solo, que privilegia a pecuária é o principal responsável pela fome e desigualdade na área rural do Planeta. A quantidade de água, solos e recursos utilizados para produzir um quilo de carne seria suficiente para alimentar pelo menos 50 pessoas.

A expansão da pecuária é responsável por pelo menos 2/3 dos desmatamentos das florestas tropicais do planeta. Estas já ocuparam 16% do planeta. Hoje ocupam menos de 9%. Da II Guerra Mundial até hoje perdemos mais de 3% das florestas tropicais do planeta. Por quê? Principalmente porque há gente querendo comer carne bovina.

A pergunta que fazem os fazendeiros é: quanto o bife custa no seu prato? A pergunta que deve inquietar o cidadão deste planeta é: “quanto custa de esforço à Humanidade para você ter o luxo de um bife em seu prato?”

A pecuária é o pior empregador que existe no planeta. A miséria brasileira no campo pode ser resumida a uma frase: a pecuária bovina expulsou o homem do campo. Numa grande fazenda na Amazônia, emprega-se diretamente uma pessoa a cada setecentos bois, que ocupa uma área de 1 mil hectares. A mesma área com agricultura familiar empregaria pelo menos 100 vezes mais, com agro-floresta em permacultura empregaria 250 pessoas!

A pecuária gera pouca renda e esta é praticamente transferida para fora das regiões produtoras. A ilha do Marajó, uma área do tamanho da Suíça, após duzentos anos de pecuária (bovina e bubalina), tornou-se uma das áreas mais pobres da Amazônia – e do planeta – com índices de desenvolvimento humano (IDH) equivalentes aos de Bangladesh. Em Chaves, no Marajó, um quarto das crianças está fora da escola e 77% das crianças não tem luz em suas escolas!

A pecuária é altamente concentradora de renda. Inexiste uma única região do Brasil onde a pecuária promoveu o desenvolvimento com justiça social. Pior, a maior parte dos fazendeiros perde dinheiro com a atividade. Como não sabem fazer contas não percebem que estão ficando mais pobres a cada dia e que pouco poderão oferecer a seus filhos e netos. Os estudos científicos do Imazon apontam que a pecuária é tão ineficiente que, em média, não oferece uma renda superior à da caderneta de poupança. Ou seja, seria mais negocio ao pecuarista vender tudo o que tem e viver do dinheiro aplicado.

Por quê, então, optamos pelo boi? Porque não pensamos, somos tão bovinos quanto a ilustre e inocente criatura. Não medimos conseqüências. Pautamo-nos pelo passado. Não questionamos se o que nossos pais e avós fizeram seria o melhor para nós, para nossas famílias e para a Humanidade.

Nem sempre a Humanidade fez escolhas certas. Em sua maioria são escolhas cômodas. Não medimos as conseqüências. No entanto, estamos diante de uma encruzilhada – ou transformamos a Amazônia em um imenso pasto ou iremos entregar às futuras gerações a mais diversa e bela floresta tropical do planeta. A escolha é sua. E de mais ninguém.

Quinhentos anos de atraso

Não há por que se assustar com esta responsabilidade. O Brasil é o campeão da falta de percepção ambiental e social. A pecuária bovina é sinônimo da história da ocupação do Brasil. Desde que o primeiro europeu colocou seus pés no Brasil, foi seguido pela pata do boi. O vírus da gripe, o boi, a bíblia e a arma de fogo modificaram este continente – difícil saber o que causou mais danos.

O boi é uma fonte de proteínas de baixíssima eficiência energética (converte em carne meros 7% do que come). Com sua pata compacta o solo, causa erosão e destrói as micro-bacias e o seu consumo traz sérias conseqüências à saúde.

O boi é um trator funcionando 24 horas. E por quê? Para saciar a vontade de comer picadinho, hambúrguer e estrogonofe. Para transformar o Brasil no maior pasto do planeta foi preciso “abrir” espaço para este animal. “Mato” (leia-se: floresta tropical com grande diversidade biológica) não alimenta boi. As florestas tem que ceder lugar ao pasto. Poderíamos resumir a história do desaparecimento da Natureza do Brasil em uma única lápide: “virou bife”. Em 500 anos reduzimos os 1,5 milhões de hectares da Mata Atlântica (floresta tropical atlântica) a meros 7% de sua área original, a Caatinga para menos de 20% e o Cerrado para menos de 25% de sua área. Pior: a degradação continua, de maneira acelerada.

Insistimos em ocupar novos pastos na Amazônia ao invés de melhor a produtividade do que já se transformou em pasto no Sul, Centro-Oeste e Sudeste. O Brasil continua um país irresponsável em termos de produtividade na pecuária. Dos 850 milhões de hectares do Brasil, há no país cerca de 250 milhões de hectares de pasto(cerca de 30% do pais). Deste total, cerca de 30% está na Amazônia -  75 milhões de hectares. A produtividade na Amazônia é pífia – 0,7 cabeças/hectare -  símbolo da incompetência em compreender e tratar o meio físico amazônico. Vamos lembrar que o Brasil todo possui cerca de 50 milhões de hectares em área plantada!

Neste ritmo, em duas décadas teremos mais bois na Amazônia do que a totalidade do rebanho brasileiro atual (170 milhões de cabeças). No Brasil já há mais bois que brasileiros.

Resumo de nossa história: o Brasil virou pasto e nossa grande contribuição à humanidade foi substituir a maior floresta tropical do planeta em churrasquinho. Carne com gosto de fumaça, violência e extinção de espécies. Apesar da ditadura militar ter se desmilinguido nos anos 1980 a Amazônia continua sob o domínio do medo, da lei do mais forte, do coronelismo, da grilagem de terra, da corrupção e do incentivo fiscal a quem dele não necessita. Quem manda é o revólver e a motoserra. Um boi vale mais que uma vida.

Por quê?

Porquê insistimos em incorrer nos mesmos erros que nossos antepassados europeus,  para quem a “pata de vaca” era sinônimo de progresso. O boi é celestial. O mato é o demônio. O arame farpado é progresso. A floresta calcinada é progresso. O mugido do boi é progresso. O pasto, que pode ser medido e contabilizado é celestial.

O país continua a tratar a Amazônia como uma área ainda não conquistada, um imenso estoque de terra pronto para virar pasto. E mais, a Amazônia como fonte inesgotável de madeira, peixe, ouro, alumínio, energia elétrica etc.

As políticas públicas e a maior parte das empresas despreza os 10.000 anos de convivência com a floresta tropical. Desta aprendizado passo a passo, de descoberta do ser e viver. O Brasil trata as comunidades indígenas e a caboclas como culturas “primitivas”, “bárbaras” e “demoníacas”. O mato, o espaço do desconhecido, do que não pode ser controlado, é o antro do medo, da escuridão. É no mato que estão os piores horrores.

Não haverá aqui uma inversão de valores?  Estamos prontos a reconhecer este erro? Ou continuaremos a nos ufanar que temos o maior rebanho comercial do planeta? Que nossos bois são “bois verdes”, comem só capim?

Vamos continuar a nos enganar? Seremos honestos com as futuras gerações? Quem está disposto a pensar um novo Brasil? Seremos os bois-de-presépio da vez, que sentam-se na lanchonete e devoram silenciosos seus hambúrgueres?

O desafio

Cabe a nós, e tão somente a nós todos, sermos diligentes e eficientes em propor um novo pacto civilizatório para a Amazônia,  capaz de diminuir a pressão sobre as populações nativas e o meio ambiente. Seus 23 milhões de habitantes, com amplas necessidades de consumo, inclusive de proteínas, demandam respostas rápidas. Afinal, come-se a Amazônia três vezes ao dia, no café-da-manhã, no almoço e no jantar.

Deste total há 7 milhões de habitantes na zona rural, dos quais cerca de 2 milhões vivem em trinta mil comunidades tradicionais, em sua maioria com acesso precário a serviços públicos de educação, saúde, água, esgotos, energia, segurança e assistência técnica agrícola.

Não estará na hora de nos transformarmos de destruidores em enriquecedores da natureza. Será que não bastam os 75 milhões de hectares já desmatados da Amazônia (área superior a toda área agrícola do país) para revolucionarmos nossa compreensão de floresta tropical produtiva?

Não será a hora de formarmos agricultores da sustentabilidade (permacultores), guarda-parques, guias de ecoturismo, artesãos, madeireiros cuidadosos, cientistas e estudiosos do saber local?

E nós, continuaremos a ser meros telespectadores? Corrigindo, na verdade, somos mais que telespectadores, somos os que financiam este processo, silenciosamente, nas gôndolas de supermercado, nos espetinhos, nos pastéis de carne…Mais do que rebanhos de consumidores, de cabeça baixa, nossa ignorância alimenta a injustiça e a destruição. Aceitamos, silenciosamente, que as coisas continuem como estão.

Medidas praticas para o dia de hoje

Você pode mudar a Amazônia a partir de agora. A sua decisão de consumo afetará profundamente o que se produz na Amazônia.

Ao nível individual:

  • se você come carne, pergunte a quem lhe vende, de onde vem a carne para saber se você está comendo ou não a Amazónia?
  • Se você mora fora do Brasil – pergunte se é mesmo imprescindível  vir carne da Amazónia e das outras florestas tropicais (muitas vezes você come a Amazónia na forma de soja, que ao invés de alimentar pessoas é dado a porcos, galinhas e vacas)?

Que medidas o poder público pode tomar agora por meio de decreto: aumentar a taxa do imposto territorial rural das áreas de pastagens, modificar a fórmula de cálculo do imposto de renda dos fazendeiros, fiscalizar com seriedade as questões ambientais, trabalhistas e tributárias da cadeia produtiva da carne na Amazônia.

Ao nível coletivo nacional:

  • Não seria oportuno discutir uma moratória de alguns anos, digamos, quatro anos, onde nenhuma autorização de desmatamento fosse concedida. Não seria este um tipo de compromisso que um novo presidente da República deveria assumir?
  • Não seria oportuno organizar um amplo programa de reeducação para fazendeiros e suas famílias, permitindo que fossem capacitados em técnicas sustentáveis de convivência com a floresta? Afinal, eles são pessoas como nós, que só querem ter uma vida digna para si e seus familiares. A pecuária é apenas o meio de vida que se lhes coube e que sabem trabalhar.

Ao nível coletivo internacional:

  • Não está na hora de efetivamente discutir a relação entre a destruição das florestas tropicais do globo e a pecuária e o consumo de madeiras tropicais?

Teremos que olhar a Amazônia de outra forma, não através dos olhos bovinos que esmagaram o futuro nos últimos cinco séculos. É preciso que aceitemos que não somos bois-de-presépio nem bois-de-piranha. Somos seres capazes de decidir o que queremos. E queremos justiça social, ambiente saudável, emprego e renda com equidade. Queremos entregar às futuras gerações a Amazônia com a etnodiversidade, a biodiversidade e a diversidade cultural melhor ou igual àquela que recebemos.

novembro de 2005.

João Meirelles vive em Belém, Pará, na região do estuário do rio Amazonas. Trabalha numa entidade sem fins lucrativos, o Instituto Peabiru – www.peabiru.org.br e se dedica ao fortalecimento institucional de organizações sem fins lucrativos da Amazônia. É autor do Livro de Ouro da Amazônia (3a edição, Ediouro, Rio de Janeiro 2.004). Décima geração de pecuaristas que abriram as fronteiras pioneiras do Brasil, deixou de comer carne bovina em 2.000.

O CICLO DE DESTRUIÇÃO DA TERRA
“Quando a última árvore for cortada, quando o último rio for poluído, quando o último peixe for pescado, aí, sim, eles verão que dinheiro não se come”. Chefe Sioux

CARNÍVOROS X NATUREZA Atividades ligadas à pecuária prejudicam o meio ambiente (novidade…)
A CRIAÇÃO DE ANIMAIS PARA CONSUMO HUMANO…… DEGRADA A TERRA: cerca de 80% das áreas cultiváveis são usadas para a criação de animais. Em 1 hectare de terra podem ser plantados 22.500 kg de batatas e apenas 185 kg de carne bovina…. DESPERDIÇA ÁGUA: são necessários de 20 a 30 mil litros de água para produzir 1 kg de carne. Para a mesma quantia de trigo, é preciso apenas 150 litros de água…. ESTIMULA O DESMATAMENTO: a criação de animais de corte é responsável por 90% do desmatamento de florestas tropicais. Para cada hambúrguer de carne bovina, são necessários 50 m quadrados de área de floresta…. POLUI A ÁGUA: somente os animais criados para o consumo nos Estados Unidos produzem uma quantidade de excrementos 130 vezes maior do que a de toda a população mundial. Uma criação de porcos média produz tantos excrementos quanto uma cidade com 12 mil  habitantes…. DESPERDIÇA ENERGIA: nos EUA, mais de um terço de todas as matérias-primas e dos combustíveis fósseis são usados na criação de animais para consumo humano. A produção de um único hambúrguer consome a mesma quantidade de combustível fóssil que um carro popular em um percurso de 32 km. – Afixado no mural do TJMG – Fonte: O Tempo – 27.11.06
Se alguém ponderar que come apenas frango, também é responsável pela queima das florestas e dos seus habitantes (pássaros, onças, tamanduá, esquilos, pacas, lagartos etc), aumentando a escassez de água e o efeito estufa, já que os grãos utilizados para a alimentação desses bípedes vêm dessas áreas devastadas. Da mesma forma o peixe, que, para ser conservado, consome muita energia fóssil, poluindo ainda mais o ambiente. Quem não mudar a sua alimentação e, ainda, reclamar da destruição do Planeta, é, no mínimo, um demagogo – ou Pôncio Pilatos. Sem falar que, também, é – superlativo sintético absoluto  de cruel  - crudelíssimo (ou cruelíssimo) com os animais.
A vingança dos animais mortos vem em forma de depressão, colesterol alto, enfartos, cânceres, gota, violência etc (acrescidos de seca, inundações, calor, furacões, falta d´água e alimentos, guerras, efeito estufa…) ou você pensa que na hora da morte desses inocentes não há nenhuma contaminação? Será que esse alimento (???) não está plasmado de medo, dor, sofrimento e desesperança? Se os matadouros (ou assassinadouros) tivessem as paredes de vidros, ninguém mais comeria carne. Mahatma Gandhi disse certa vez que “A grandeza de uma nação e de seu progresso moral pode ser julgado pela maneira com que seus animais são tratados”.
A situação se complica a cada dia e há situações que já são irreversíveis. O Planeta ficará para as gerações futuras, mas, até que o deixemos, é imperioso que o tratemos com mais carinho e zelo. Se fosse a nossa casa que estivesse para ruir ou explodir, agiríamos com esse total descaso?
Adotar uma dieta vegetariana é uma forma simples de consumir sem agredir o meio ambiente, enquanto que hábitos alimentares com predominância de comida industrializada e rica em proteína animal contribuem diretamente para um dos problemas ambientais que mais ameaçam o mundo: o aquecimento global. Alimentos naturais restauram nossa saúde e reequilibram as nossas energias.
Ao se alimentar, consumir em excesso, não reciclar, poluir, reclamar e nada fazer, pense no seu filho que herdará esse verdadeiro lixão, outrora um lindo e aprazível planeta. Reflita e aja, não espere pelo outro, que pode estar esperando, também, por você.
Muitos dizem que eu sou chato, também acho, às vezes, que fique bem claro, às vezes. Mas há certos assuntos que temos que insistir, pois, caso contrário, não conseguiremos levar a bom termo o seu desfecho. Temos que plantar árvores e uma sementinha na cabeça das pessoas, senão o mundo acaba rapidamente. Quando eu for embora da terra (momentaneamente, pois devo voltar bem mais tarde), espero que haja outro ou outros no meu lugar. Gostaria de um mundo melhor e o planeta não pode esperar, por isso, insisto em divulgar sempre, pois esse assunto é igual ao aprendizado de álgebra, de conjugação de verbo, de um jogo de bola ou um aprendizado de guitarra. Há que se ter muito treino e persistência. No meu caso a insistência é devido à minha cara de pau, ou melhor, cara de Pau lo, já que levei tanta “carada”. Mas isso só me motiva, pois descubro que há muitos que nada sabem.
Como sempre falo sobre ecologia para diversas pessoas por dia, resolvi colocar no papel tudo isso, ciente de que o desconhecimento salta aos olhos. É importante lembrar que esse texto deve ser digerido com parcimônia, em doses homeopáticas, inclusive, para que guardemos mais informações, embora grande parcela das pessoas não se dê ao trabalho de ler textos mais elaborados e sérios. Aqui tem informações do Instituto Akatu, INPE, Greenpeace e diversos outros organismos de pesquisas e universidades de todo o mundo.
Seria de bom alvitre que isso fosse divulgado, pois a destruição do planeta está quase que irreversível. Além de servir de esclarecimento e alerta, o escrito abaixo é útil para vestibulandos e estudantes em geral. Se forem imprimir, usem papel rascunho.
Feito o intróito, o preâmbulo, vamos lá ao ciclo de destruição da terra. Deixem de preguiça e leiam tudo. É muito importante conhecer o que vem em seguida. Eu gastei horas de pesquisa e de digitação deste texto, quando poderia estar exercendo outras atividades ou mesmo dormindo. Na realidade, o gasto em horas foi ganho em conhecimento, pois aprendi muito, já que sou diletante, que é aquela pessoa que estuda pelo prazer de aprender. Para ler, vocês levarão bem menos tempo.
Helio Mattar, diretor presidente do Instituto Akatu: “Não há nada que cada um de nós faça, que não reflita na vida dos outros. Por isso, a solidariedade é absolutamente necessária, inclusive por parte das empresas, que seriam mais agentes sociais e não apenas de produção”. Nossas escolhas de consumo influenciam muito. “Quando comemos um bife ou deixamos de pegar uma carona, estamos contribuindo para aquecer o planeta”. Entre as principais causas do superaquecimento estão o desmatamento das florestas – nesse caso para a criação de pastagens – e a queima de combustíveis fósseis, como o petróleo.
Quando queremos ganhar dinheiro mais facilmente e temos terras, o que fazemos? Queimamos a floresta, colocamos a praguiária – pois é uma praga (capim braquiária) e deixamos que o gado se reproduza. Mas só capim não dá! Temos que plantar milho e soja para alimentar os bois, frangos, carneiros, porcos etc. Queimamos mais florestas. Após, para se fazer um churrasco, queimamos mais matas para produzir o carvão para as nossas churrasqueiras. Sendo assim, como manter o planeta sem poluição, sem o famigerado CO2?
Segundo imagens de satélite, em 2004 e 2005, 1,2 milhão de hectares de floresta viraram plantações de soja. Cada hectare tem mais ou menos o tamanho de um campo de futebol. Ou seja, em dois anos, a área cultivada pela soja passou de um milhão de campos de futebol. E para onde vai toda essa soja plantada no coração da floresta? “A nossa soja está alimentando a vaca da Europa. A vaca da Europa é confinada e ela come soja brasileira”, alerta Paulo Adário, do Greenpeace. Um porto em Santarém, no meio da floresta amazônica, é o lado mais visível do poder da soja no norte do Brasil. Ele foi construído por uma empresa norte-americana para facilitar o transporte de milhões de toneladas do produto para o mercado consumidor, a Europa. A própria existência do porto da Cargill é contestada na Justiça. O Brasil é o maior exportador mundial e segundo maior consumidor de carne bovina. O problema é que a conta deste aumento quem paga é o meio ambiente. O rebanho bovino tem se expandido em todas as regiões do país e a pecuária exige a abertura de grandes extensões de campos onde antes existiam cerrados ou florestas. A criação de gado é hoje uma das principais responsáveis pelo desbravamento da floresta Amazônica. Um estudo do Banco Mundial, divulgado em 2003, aponta que, durante os anos 90, a pecuária de corte foi a maior responsável pelos desmatamentos registrados nas terras ainda baratas da região. O preço que a floresta paga com o desmatamento é alto. E não se perde só madeira. Em cada quilômetro quadrado de floresta tropical há cerca de 45 mil toneladas de matéria orgânica viva, na forma de animais, vegetais e microorganismos contra mil de um deserto. Cálculos estimam que cada 2 milhões de hectares desmatados ou queimados – área média derrubada anualmente na Amazônia –  emitem o equivalente a 200 milhões de toneladas de carbono, mais do que todos os carros brasileiros juntos.
Nosso amor e respeito às árvores vêm de longa data. Quando um carro estraga na estrada, a primeira atitude do motorista é quebrar um galho de uma árvore e colocá-lo na pista para avisar os outros motoristas. Onde está o triângulo – obrigatório??? Se andamos no mato, vamos quebrando galhos aqui e acolá para passarmos com maior facilidade. Se tivermos muitas árvores em frente a nossa casa e se as mesmas puderem servir de esconderijo para meliantes, cortaremos todas. Os criminosos que continuem soltos! Simples, não? Muitos não plantam nada, pelo contrário, mas, quando o sol está quente, correm para se abrigar – e/ou os seus carros – em sombras frondosas. O homem constrói diversos prédios, mas não planta árvore – a sua maioria. Elas também sentem dores, pois têm o princípio vital, que rege a vida de todas as criaturas. Experimente embalar a sua planta com música clássica (embora eu adore o heavy metal), ela adorará, respondendo-nos com beleza e vigor. Um outro problema de se acabar com as florestas é que uma mata queimada há mais de 5 km de uma nascente pode secá-la, já que a floresta dizimada era o ponto de captação de água para o lençol freático, que desembocava nessa nascente. De tanto queimar suas matas, diversos fazendeiros ficam sem água e depois se acham no direito de brigar com o vizinho pela água que o outro conservou. Onde está a água outrora existente nas fazendas desses conscienciosos fazendeiros?
Por essa queima constante, as florestas não resistem. Isso faz com que as nascentes desapareçam, já que não têm mais as árvores que funcionavam como esponjas para infiltrar a água da chuva até o lençol freático, para alimentar os lagos, lagoas e nascentes. Sem árvores, quando vem a chuva, muita terra, fezes e urina dos animais vão para os rios assoreando-os e poluindo-os. Rios que há 20 anos tinham 30 mt de profundidade, se ainda existirem, hoje têm 20 cm. Com a água poluída pelas fezes dos animais, juntamente com hormônios, antibióticos e outros químicos, há de se ter mais despesas para limpá-la, por isso, pagamos mais caro por ela. A criação do gado compacta o solo, tornando-o impermeabilizado, ou seja, não há como a água penetrar para chegar até o lençol freático. Não só isso, com a escassez da água, temos que buscá-la cada vez mais longe, aumentando os custos. À medida que a demanda suplanta a oferta, os lençóis freáticos estão hoje diminuindo em todos os continentes. Dezenas de países estão enfrentando esse problema. Vivemos num mundo em que a água se torna um desafio cada vez maior. A cada ano, mais 80 milhões de pessoas clamam por seu direito aos recursos hídricos da Terra. Infelizmente, quase todos os 3 bilhões de habitantes que devem ser adicionados à população mundial no próximo meio século nascerão em países que já sofrem de escassez de água. Já nos dias de hoje, muitas pessoas nesses países carecem do líquido para beber, satisfazer suas necessidades higiênicas e produzir alimentos. De acordo com o professor de sistemas de irrigação e drenagem do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental da UnB – Universidade de Brasília, Demetrios Christofidis, a agropecuária no Brasil responde por 69% do volume de água retirado dos mananciais. O abastecimento doméstico e a atividade industrial são, na seqüência, os maiores usuários, com 21% e 18%, respectivamente, de volume utilizado. Os dados são de 2002. A afluência gera demanda, adiciona. À medida que as pessoas ascendem na cadeia alimentícia e passam a consumir mais carne bovina, suína, aves, ovos e laticínios, consomem mais grãos (que alimentam os animais). Uma dieta americana rica em produtos pecuários requer 800 quilos de grãos por pessoa por ano, enquanto as dietas na Índia, dominadas por uma alimentação básica de amidos como arroz, caracteristicamente necessitam apenas de 200 quilos. O consumo quatro vezes maior de grãos por pessoa significa igual crescimento no consumo de água. Vejam algumas curiosidades: Bebemos um copo d´água e desperdiçamos mais de quatro só para lavá-lo. Um absurdo! a) A torneira de uma pia, aberta meia volta, gasta 16 litros por minuto. Se uma pessoa escova os dentes duas vezes por dia e deixa a torneira aberta por um minuto, em um mês, ela desperdiça cerca de 960 litros. Se esta mesma pessoa utilizasse um copo de 200 ml para enxaguar a boca ao escovar os dentes, economizaria mensalmente 948 litros, suficientes para que outras 79 pessoas escovassem os seus da mesma forma. A quantidade de água economizada durante 70 anos seria suficiente para 67 mil pessoas, se escovasse os dentes de modo econômico durante um mês. A água só é necessária para molhar e enxaguar a escova e a boca. b) Uma torneira pingando pouco mais de uma gota por segundo desperdiça 46 l por dia. Em um mês, são jogados fora 1.380 l, quantidade suficiente para usar uma lavadora de roupas com capacidade para 5 kg por dez vezes. c) Uma pessoa que, semanalmente, lava a calçada com a mangueira durante 15 minutos, desperdiça, em um ano, mais de 13.700 litros d’água, o suficiente para dar de beber a 10 pessoas durante  47 anos. d) Uma pessoa que toma banho de chuveiro com meia volta da torneira aberta durante dez minutos gasta 162 l d’água. Se esta pessoa cortar pela metade o tempo do banho, economiza, em um ano, 30 mil l. Se 10% dos moradores da cidade de SP tomassem esta providência, a quantidade de água economizada daria para suprir 405 mil pessoas durante um ano. Um banho de 15 minutos com o chuveiro ligado direto gasta 90 l de água e outro de cinco minutos reduz para 30 l. Se as pessoas abrirem a água do chuveiro apenas para se molhar por 30 segundos e mais um minuto para se enxaguar, o consumo cairá para 12 l. Se 4 pessoas fizerem isto, seu consumo irá diminuir em mais de 300 l por dia, que pode abastecer mais duas pessoas. Se 500.000 pessoas fizerem o mesmo, será possível fornecer água para mais de 1 milhão de pessoas sem aumentar o sistema de abastecimento de água. Torneiras pingando desperdiçam 46 l de água por dia ou o suficiente para dois banhos de cinco minutos. Esse volume multiplicado por um milhão de pessoas será suficiente para abastecer por um dia 364 mil habitantes. Dos 1,2 bilhão de pessoas que não têm acesso à água potável no mundo, mais da metade são mulheres e meninas e o pior é que a cifra poderá aumentar nos próximos anos. As mulheres asiáticas e africanas percorrem uma distância média de seis horas para coletar água, o peso provoca transtornos físicos, impedindo que elas se envolvam em atividades como a educação, geração de renda, política ou recreação, já que grande parte de seu tempo está ocupado. Seis mil meninos e meninas morrem a cada dia vítimas de enfermidades associadas à falta de acesso a água potável. Grande parte destas carências é resultado da transferência deste recurso para as transnacionais, que são mais graves nos países onde o Banco Mundial e o FMI impuseram a privatização da água como condição para outorgar empréstimos.
Se gastamos mais água, e com diminuição das nascentes, lagos e lagoas, a captação da mesma se torna mais dispendiosa e com mais custos. Portanto, se desperdiçamos esse líquido precioso, estamos aumentando os impostos para obtê-la e mesmo quem a economiza vai pagar mais caro. Assim, “os justos pagam pelos pecadores”. O pior e lamentável é que muitas pessoas varrem as calçadas (com a vassoura hidráulica – mangueira de água) mesmo após – pasmem – e durante as chuvas. É preguiça ou desinformação. Algo tão ruim quanto ocorre nas cidades em que a prefeitura não cobra pela água, quando as pessoas deixam as torneiras abertas ou pingando o dia inteiro, sempre dizendo que a água é de graça. Se não sentem no bolso não são estimuladas a economizar. Há também os que gastam muito porque choveu, então tem muita água, dizem. Mal sabem eles que essa água não alimenta mais o lençol freático, porque ou as ruas estão impermeabilizadas ou não tem mais a floresta para reter a água no solo. Sendo assim, a água vai para o rio e do rio para o mar. É muita falta de consciência e os meios de comunicação de massa também são os grandes culpados, embora não admitam. Eles é que sempre alardearam o consumismo e nada de campanha para a preservação do planeta. Só agora que a situação está ficando irreversível é que, timidamente, alguns veículos começaram a ventilar em suas programações alguma notícia sobre o aquecimento global. Uma pena!
Para se ter uma idéia do problema, em 2050, a população da Índia crescerá em mais 519 milhões de pessoas. A da China, em mais 211 milhões. O Paquistão terá 348 milhões. Egito, Irã e México estão destinados a aumentar sua população em mais da metade até 2050. Nesses e em outros países carentes de água o crescimento populacional está condenando milhões de pessoas à indigência hidrológica, uma forma de pobreza da qual é muito difícil escapar.  Já com a população atual, de 6 bilhões, o mundo tem um imenso déficit hídrico. Por meio de dados sobre a extração excessiva na China, Índia, Arábia Saudita, África do Norte e Estados Unidos, Sandra Postel, autora de Pillar of Sand: Can the Irrigation Miracle Last?, calcula a exaustão anual dos aqüíferos em 160 bilhões de metros cúbicos ou 160 bilhões de toneladas. Tomando-se uma base empírica de mil toneladas de água para produzir 1 tonelada de grãos, esses 160 bilhões de toneladas de déficit hídrico equivalem a 160 milhões de toneladas de grãos, ou metade da colheita dos Estados Unidos.
Ao se produzir os grãos, gasta-se muito mais água para a sua irrigação. Para termos idéia do absurdo de área florestal devastada pela agricultura destinada aos animais, se pegarmos 10% de toda a produção de grãos destinada aos animais, produzidos pelo EUA, daria para matar a fome de toda a população mundial. Só 10%! Como também temos pressa em produzir alimentos, modificamo-los geneticamente, abusamos dos agrotóxicos, contaminamos rios, solo, ar e, assim, não temos alimentos de qualidade, que sejam saudáveis. Se não comêssemos tanta carne, não precisaríamos desmatar tanto. Se usássemos apenas uma parte das áreas desmatadas, teríamos a economia de florestas e excelência na qualidade, pois produziríamos alimentos de melhor sabor e de forma natural, limpos de veneno e com o tempo de germinação e maturação adequado a cada espécie, sem queimarmos etapas de crescimento e produção. Por ser mais lenta a produção dos orgânicos, eles não servem para a necessidade premente de engordar rapidamente os animais. As outras áreas desmatadas seriam regeneradas de forma natural e rapidamente.
Não só as queimadas e agrotóxicos poluem tanto. A eructação, arrotos dos bois, e os gases menos nobres (peidos) são responsáveis pela liberação de gás metano. O alimento consumido, gramíneas, forma um caldo onde estão presentes bactérias. “Quando o animal respira, o gás é liberado juntamente com o gás carbônico”, explica a pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente, Magda Aparecida Lima. Considerando cerca de 165 milhões de animais, somente no rebanho bovino brasileiro, produzindo anualmente uma média de 60 quilos de metano cada, pode-se imaginar as proporções mundiais da questão. Segundo ela, o metano possui um poder de aquecimento global vinte e uma vezes maior que o gás carbônico (CO2). As emissões de gás carbônico e metano estão entre as principais responsáveis pelo progressivo aquecimento do planeta. A fermentação dos alimentos nos estômagos do rebanho bovino mundial produz emissões de metano da ordem de 80 milhões de toneladas por ano. Quando cresce o nível desses gases na atmosfera, a Terra passa a reter mais energia solar junto ao solo, fazendo com que o planeta esquente – à semelhança do que ocorre numa estufa de jardinagem.
Com a devastação das florestas para se pôr gado, pergunto: será que só esse tipo de animal merece viver (por um breve período de tempo, é lógico, já que ele será “abatido” jovem)? E o resto, que estamos extinguindo a passos largos, a eles não podemos destinar outras áreas? Um em cada quatro mamíferos e um a cada oito pássaros estão ameaçados. Metade de todas as tartarugas marinhas e de água doce passa pelo mesmo perigo. Anfíbios talvez sejam o maior grupo em sérios riscos, com uma a cada três espécies em sério risco e mais de 120 espécies consideradas extintas nos últimos 25 anos. Dor de cabeça por isso? – A principal razão para se preocupar com o ritmo de extinções é que mesmo com toda a tecnologia atual, a humanidade ainda depende do delicado balanço ecológico natural do mundo para sobreviver. A biodiversidade da Terra que provém o ar limpo, água potável, alimentos e novos medicamentos. Um processo de mudanças muito grande poderia causar um colapso do sistema de suporte à vida natural. Além disso, a vida na Terra levou cerca de 10 a 100 milhões de anos para se recuperar de uma extinção em massa. E uma última razão para ficar atento é filosófica. Se os seres humanos conservam trabalhos de arte, porque não conservar a natureza? A extinção de um besouro é menos importante que a destruição de um Rembrandt ou um Picasso? Talvez seja hora de parar e rever os conceitos. (Paula Scheidt/ CarbonoBrasil)
Voltando à queima de florestas, a emissão de CO2 faz com que a poluição fique instalada no limite da atmosfera, formando uma camada espessa quase intransponível. Que fique claro que não é só a poluição oriunda da queima das florestas a personagem principal da história, se bem que é a maior vilã, pois temos os carros, fábricas e mineradoras que ajudam, e muito,  na produção da fumaça. Quando a luz solar incide sobre a terra, ela é refletida pelo gelo das calotas polares e volta ao espaço. Isso na teoria. Uma vez que temos a poluição para impedir tal retorno, a luz solar fica dentro dessa “estufa” que se tornou o nosso planeta. Assim, derrete o gelo e aumenta a temperatura ambiente, elevando o nível do mar e a temperatura da água. Isso faz um aumento de furacões e ciclones, formação maior de tempestades, de estiagem, além de submergir ilhas (já temos milhares de refugiados devido ao aumento do nível do mar). Afogamos os ursos (que apesar de bons nadadores não conseguem nadar por um longo período de tempo), já que os icebergs que se soltam os levam para longe de seus habitats. Cidades litorâneas como Rio de Janeiro, Tóquio, New York, Amsterdã e outras serão submersas. Em Bangladesh, por exemplo, uma elevação de apenas um metro alagaria 10% do território e levaria 8 milhões de camponeses a abandonar suas terras. A previsão é que a temperatura suba 6 graus até 2100.  Especialistas dizem que milhões de pessoas em áreas densamente povoadas, em territórios baixos de países em desenvolvimento, como Bangladesh e partes da China, Indonésia e do Vietnã, podem ser forçadas a mudar-se devido ao aumento dos níveis do mar. Em algumas ilhas do Pacífico Sul isso já começou a acontecer.  Jim Hansen, diretor do instituto para estudos do espaço da Nasa, localizado em Nova York (EUA), diz que a situação pode chegar a um ponto de o Ártico não ter mais gelo. Isso significa, em outras palavras, grande elevação no nível do mar e extinção de muitas espécies, explica. Hansen lembra que metade da população do planeta vive a menos de 15 milhas da costa e que muitas das grandes cidades são costeiras. “Uma vez que o processo se inicia e continua no mesmo ritmo, é impossível de prevenir o que ocorra. É por isso que devemos lidar com a situação antes que ela fique fora de controle. Só não podemos simplesmente queimar combustíveis fosseis”, alerta. “Se fizermos isso, teremos um planeta sem nenhum gelo no Ártico e onde o aquecimento será tão grande que trará fortes efeitos para a elevação dos níveis dos oceanos e para a extinção das espécies”. O cientista admite que, se formos mais 10 anos no ritmo atual de crescimento de emissões de CO2 na atmosfera, em 2015 as emissões serão 35% maiores do que no ano 2000.
Pesquisadores da Universidade de Bristol, no Reino Unido, prevêem que a Europa, a China, Canadá, América Central e do Sul estarão sob risco de destruição de suas florestas com o aquecimento global – 30% de chance para um aquecimento de menos de 2º C, chegando mais de 60% se o aquecimento superar 3º C nos próximos 200 anos. Incêndios, enchentes e secas também serão mais comuns. Deverá faltar água na África Ocidental, América Central, sul da Europa e leste dos EUA. Outras regiões, particularmente ao norte dos 50º de latitude norte, na África tropical e no noroeste da América do Sul, estarão sob risco de erosão, perdas de árvores e enchentes. Os pesquisadores também descobriram que, se a temperatura aumentar mais de 3º C, áreas da Terra que hoje absorvem gás carbônico poderão passar a liberar o carbono acumulado, dando início a um ciclo de realimentação que ampliará a concentração do gás na atmosfera.
Como as atividades atuais também envolvem a diminuição da cobertura florestal, deve também haver uma diminuição da pluviosidade nas áreas continentais, pois as florestas prestam serviços ambientais importantes para a regulação do balanço hídrico sobre as áreas continentais. Sendo assim, não havendo uma recuperação da cobertura florestal e das áreas desertificadas, a tendência é de que o clima do planeta se torne cada vez mais quente e seco. O Brasil, o Mediterrâneo e o oeste dos Estados Unidos estão entre as regiões que mais vão sofrer as conseqüências do aquecimento global, indica uma nova projeção que prevê secas prolongadas, chuvas intensas e ondas de calor mais longas nas próximas décadas. O estudo, feito pelo Centro Nacional para Pesquisa Atmosférica dos EUA, prevê também fenômenos contrastantes, como quedas drásticas de temperatura e uma maior temporada de crescimento vegetal. O grupo ambientalista Greenpeace convidou os principais poluidores do mundo, nesta segunda-feira (06.10.06), a deterem a devastação causada pela mudança climática, apontando o Brasil como um dos principais agressores. “Os piores impactos da mudança climática só podem ser evitados se os governos agirem agora”, disse Steve Sawyer, conselheiro político do Greenpeace International, na inauguração da conferência da ONU sobre o clima na capital queniana. “As futuras gerações não nos perdoarão se demorarmos”, afirmou. “O Brasil precisa assumir a responsabilidade como um dos maiores emissores do mundo de CO2 (dióxido de carbono ou gás carbônico)”, afirmou. “O governo precisa combater o desmatamento e promover a energia limpa e renovável, bem como a eficiência energética”, acrescentou. As mudanças climáticas são causadas, principalmente pela emissão de gases causadores do efeito estufa, como o gás carbônico (CO2). Segundo o relatório Mudanças do Clima, Mudanças de Vidas, do Greenpeace, o Brasil hoje já é o quarto país responsável pelas emissões mundiais de todo o gás carbônico do planeta. “Isso acontece por causa das queimadas decorridas da conversão de florestas em pastos e lavouras, principalmente no caso da soja e da carne bovina, principais produtos de exportação do país”, afirma Carlos Rittl, do Greenpeace. “Por isso é importante estabelecer metas de contenção de desmatamento.”
Com o aumento da temperatura do mar, os recifes (animais incrustados de algas) não realizarão a fotossíntese, deixando de ser fonte de alimentos para inúmeras espécies marinhas. Os recifes são fontes primárias de toda vida no planeta. Dessa forma, as aves também não terão o que comer, já que não haverá peixes suficientes. Isso sem falar nos barcos-fábrica que dizimam cardumes com bombas, as baleeiras e os pescadores que matam os tubarões apenas para tirar parte das suas entranhas. Assim, sem o seu segundo maior predador (o primeiro é o homem), muitas espécies poderão se proliferar, acabando com as outras rapidamente – se o homem não dizimar tudo antes.
Esse aumento da temperatura da terra fará com que inúmeras espécies desapareçam e mudará a face da terra, criando desertos onde antes eram terras alagadas, transformando florestas tropicais em cerrados e por aí vai. “A partir do ano 2040, 2050, a Amazônia entra em uma fase de colapso. E passaria a ser outro tipo de vegetação, uma vegetação tipo savana ou cerrado”, prevê o pesquisador José Antônio Marengo. A temperatura média na Amazônia pode subir 8 graus até o ano de 2100. No Pantanal, a elevação seria de 6,5 graus. E no Nordeste, 4,5 graus.  Um mapa mostra a região nordestina que seria mais castigada: o semi-árido. E já se fala nos impactos sociais que seriam provocados pela mudança do clima. “Pode gerar um problema gravíssimo, que é o de refugiados ambientais”, afirma Marengo. Milhares de famílias seriam obrigadas a deixar o sertão e buscariam emprego nas grandes cidades. Nesse cenário, a temperatura média no Brasil, que já é alta, passaria de 25ºC para 29ºC, em 2100. Pensem nesse pessoal se mudando para a nossa cidade. Se já não temos qualidade de vida, imaginem como será com milhares de outras pessoas morando ao nosso lado? Trânsito, fome, miséria, doenças, assaltos, assassinatos, desemprego, falta de água…
Cerca de 75% do volume de gases poluentes emitidos pelo Brasil vêm do desmatamento e das queimadas. Os humanos estão devastando a natureza num ritmo sem precedentes que, se mantido, fará com que em 2050 a população mundial consuma por ano o equivalente aos recursos de dois planetas, disse a entidade ambientalista WWF nesta terça-feira, 07.10.06. As populações de muitas espécies, de peixes a mamíferos, diminuíram em cerca de um terço entre 1970 e 2003, em grande parte devido a ameaças humanas, como poluição, desmatamento e pesca abusiva, disse a entidade em seu relatório bienal.
Por essa prática secular de queimadas, 1/3 das terras do planeta estão desertificadas e as populações já não conseguem sobreviver nestes locais, criando mais refugiados, os da seca. Por não termos florestas, não teremos estabilidade no clima, uma vez que não teremos as formações de camadas de ar frio, oriundas da vapotranspiração das árvores, que ao se encontrarem com as camadas de ar quente provocam chuvas. Sem a mata, a camada de ar quente seguirá o seu curso até que encontre um outro catalisador para a chuva, derramando suas águas no deserto ou no mar, deixando de chover nas áreas habitadas. Aliás, quem precisa de chuva no mar ou no deserto, a não ser os náufragos e as caravanas nômades desses lugares?
Quanto à fumaça, não é um problema apenas da comunidade próxima, já que ela viaja por milhares de quilômetros, poluindo imensas áreas. Essa fumaça provoca asma, bronquite, alergias etc. As emissões de queimadas, muito mais quentes, são projetadas verticalmente, alcançando altitudes acima de oito quilômetros. “Em grandes altitudes, os ventos têm maior intensidade e as nuvens podem ser levadas para grandes distâncias, permanecendo também por mais tempo na atmosfera”, disse o pesquisador Saulo Freitas, do INPE. Dependendo da latitude, as emissões ultrapassam os 12 quilômetros de altitude, chegando à estratosfera. “Nesse caso, os gases podem dar a volta no planeta. Eles conseguem modificar o balanço de radiação que vem do Sol e chega à superfície, alterando o clima global”, disse Freitas.
Muitos ficam com dó e até indignam-se ao verem imagens de queimas de florestas, que dizimam toda a vida silvestre, como cobras, onças, tamanduás, pássaros, mamíferos diversos e seus filhotes e outras infinidades de vida. Estamos acabando com possíveis remédios até para doenças que não existem ainda, o que diremos das que existem, já que tudo vem da natureza? Isso sem falar que estamos também dizimando os polinizadores. Sem eles, nada de mais árvores e frutos. Falam dos madeireiros, mas estes destroem pouco em se comparados aos pecuaristas, pois selecionam as madeiras de lei e parte da floresta ainda se mantêm de pé. Como exemplo do problema, o Pantanal tem previsão de durar apenas mais 40 anos, uma vez que os fazendeiros têm permissão para desmatarem até 80% de suas terras, para colocar… adivinhem? Acertaram! Capim (Para quê? Para gado), acabando com rios e toda a rica fauna e flora. Visitem lá antes que devoremos tudo.  Ao invés de nos indignarmos com as queimadas, deveríamos olhar para os nossos pratos e ver o tanto de carne que lá tem. Ver os inúmeros animais e outros seres vivos – humanos também – que perdem a vida e que ficam doentes pela inalação da fumaça não deveria causar uma mudança de comportamento?
Temos muito mais problemas. Vejam como as multinacionais (a maioria dos detestáveis americanos) destroem tudo à sua volta, principalmente nos países dos outros: O relatório Comendo a Amazônia é resultado de uma investigação sigilosa realizada durante um ano, nas regiões de produção e consumo de soja, baseada em análise de imagens de satélites, sobrevôos, análise de dados do governo e pesquisas em campo. O documento revela o papel de três multinacionais norte-americanas de commodities agrícolas – ADM (Archier Daniels Midland), Bunge e Cargill – na invasão da Amazônia, impulsionando o desmatamento ilegal – muitas vezes, feito com trabalho escravo, a grilagem de terras públicas e a violência contra comunidades locais. ADM, Bunge e Cargill controlam a maior parte do mercado de soja na Europa. “Estamos destruindo a maior floresta tropical do planeta para dar lugar à soja – uma espécie exótica, que será transformada em ração para alimentar gado e frango na Europa”, disse Paulo Adário, coordenador da campanha da Amazônia, do Greenpeace. “Depois, este gado e este frango serão vendidos no Mc Donald’s mais próximo e você poderá estar comendo um pedaço da Amazônia”.
Outro ponto de destruição são as queimadas urbanas. Pôr fogo em lixo residencial é outra prática nefasta. Por que não reciclar esse lixo? Muitos depositam sua sujeira nos passeios ou em lotes vizinhos e ateiam fogo (muitas vezes fora do horário ou do dia, fazendo a festa dos cachorros que rasgam os sacos). Em diversas ocasiões, o lixo queimado é plástico e latas, que exalam uma fumaça negra e altamente tóxica. Até sofás velhos são queimados. Se o lixeiro não recolhesse o lixo, reclamavam. Como recolhem, queimam-no. Quando varrem folhas ou juntam o resto de capina, também os queimam. Por quer não deixar virar adubo para as próprias árvores?  Isso sem falar na queima de mato em inúmeros lotes vagos (os donos não querem gastar com capina e os vizinhos a estes não têm a consciência da destruição), que aumenta ainda mais a temperatura da Terra e faz com que nossos centros urbanos fiquem ainda mais quentes. O pior é que a pessoa que ateia fogo, principalmente em lote vago, suja as nossas casas, enche-as de fumaça e fuligem, não nos respeitando e mostrando toda a sua educação, além de favorecer as doenças respiratórias. Roupas recém-lavadas e áreas limpas ficam sujas de fuligem, janelas em dia de calor têm que permanecerem fechadas, cheiro constante de fumaça. Em muitos dias do ano há vários focos de queimadas e perde-se a qualidade do ar, que já é ruim. Será que essas pessoas não gostam de um ar sem fumaça?  Saliente-se que essa pessoa pode estar colocando o seu filho e pais idosos – e os dos outros – doentes, com bronquite, asma ou rinite, por exemplo. Se procurar um posto médico, muitas vezes em greve, não será bem atendido. Quando finalmente o conseguir, receberá Amoxilina, um antibiótico que quase não combate essas doenças. Terá que desembolsar uma boa quantia para comprar um remédio mais eficaz. Resultado: ele mesmo provoca maiores problemas para si próprio e sua família, sem falarmos nos vizinhos prejudicados. Quando reclamamos de tal ato de vandalismo, esses educados ainda se dão ao direito de nos ameaçar e, o pior, há os vizinhos que ficam do lado dos meliantes. É igual quando gravamos um ato ilícito sem autorização, ocasião em vamos preso e o bandido fica solto, pois a gravação fora feita sem consentimento do mesmo. A vítima vira o meliante e o meliante vítima.  O que nos deixa esse mal-educado? Fumaça, fuligem, sujeira, doenças respiratórias, risco de incêndio, paisagem desolada, mais calor, mais efeito estufa, pássaros sem ninhos e seus filhotes queimados, além de diversos animais silvestres que morrem no incêndio. O mais incrível é que muitos se sentem incomodados, reclamando, reclamando, mas sem tomar uma atitude que ponha fim à poluição. Dizem que não querem incomodar, que o autor da queimada vai ficar bravo, vai ameaçá-lo etc. Mas quem tem que ficar bravo são as inúmeras pessoas que foram atingidas pela falta de educação do outro. QUEIMADA É CRIME!  QUEM SE SENTIR PREJUDICADO, NÃO QUERENDO MAIS FICAR DOENTE OU COM A CASA SUJA POR CAUSA DE FALTA DE RESPEITO ALHEIO, É SÓ LIGAR PARA A SECRETARIA DO MEIO AMBIENTE OU PREFEITURA. Essa situação se assemelha a um lugar cheio de não fumantes. Quando chega um com cigarro acesso, espalhando enfisema pulmonar, câncer, pigarro etc, os não fumantes ainda ficam sem jeito de reclamar. Ora, os inconvenientes são os que têm que parar de incomodar e prejudicar os outros e não o contrário. Deveríamos ser os primeiros a zelar por um ambiente mais saudável, ensinando, inclusive os nossos filhos a manter a nossa “casa” limpa e não sujá-la ainda mais. Quanto à fumaça, não é um problema apenas da comunidade próxima, já que ela viaja por milhares de quilômetros, poluindo imensas áreas. Essa fumaça provoca asma, bronquite, alergias etc. As emissões de queimadas, muito mais quentes, são projetadas verticalmente, alcançando altitudes acima de oito quilômetros. Em grandes altitudes, os ventos têm maior intensidade e as nuvens podem ser levadas para grandes distâncias, permanecendo também por mais tempo na atmosfera. Dependendo da latitude, as emissões ultrapassam os 12 quilômetros de altitude, chegando à estratosfera. Nesse caso, os gases podem dar a volta no planeta. Eles conseguem modificar o balanço de radiação que vem do Sol e chega à superfície, alterando o clima global.
E a reciclagem? Ah, isso dá trabalho. Lavar, separar, levar para os coletores. Nem pensar! Assim, por não reciclarmos, temos que destruir mais rios, para pegar areia e fazer novos vidros. Temos que cortar mais árvores (começando todo o ciclo de destruição já mencionado) para produzir papel. Temos que gastar mais petróleo para transformá-lo em plástico. Para a produção disso tudo, gastamos óleo diesel, energia, água e aumentamos a poluição do planeta. Se reciclássemos, o gasto seria infinitamente menor e teríamos mais florestas em pé. Reciclar dá trabalho e muitos não querem saber disso. Mas quando o aterro sanitário, o lixão, ficar saturado, temos que criar um outro espaço. Quando ele for para o lado da nossa casa, eu, que nunca reciclei um ínfimo pedaço de papel, transvestido em cidadão pela primeira vez, farei abaixo-assinado na vizinhança, xingarei os políticos, a prefeitura e reclamarei e reclamarei. Terei direito? Se tivesse reciclado, o lixão ainda teria vida útil para muito tempo mais. Nele não caberiam ainda outros dejetos que não são recicláveis? Por que não adotamos um catador de material reciclável em nosso bairro? Eles são importantíssimos para nós, pois além de nos livrarem da sujeira desse material atirado nas ruas, nos livram de doenças provenientes dessa sujeira e ajudam-nos a ter florestas, poupar energia e a termos o lixão longe de nossas casas. Isso sem falar na geração de empregos para inúmeras pessoas que lidam com essa atividade. Outro aspecto positivo da reciclagem é que evitaríamos atirar o lixo na rua, que é levado pela chuva aos esgotos, provocando inundações e enchentes. Uma prática muito comum nas favelas, para aumentar a sua área, é cavar o barranco, deixando o lixo espalhado, e jogar terra por cima. Isso por meses a fio. Quando vêm as chuvas, a terra pesada escorrega no plástico e vem o soterramento. Se o lixo tivesse sido reciclado…
O texto “Lixo:  conseqüências, desafios e soluções” de autoria de Geila Santos Carvalho afirma  que o volume de lixo produzido no mundo nos últimos 30 anos foi três vezes maior  que o aumento populacional. Isso vem ocorrendo em virtude da mudança nos padrões  de consumo e de produção, pois hoje buscam agregar valor em produtos através das  embalagens e  parte da sociedade tem atingido altos padrões de consumo, que na  maioria das vezes é desperdiçado. Vários produtos tem tido uma vida útil muito  curta ou é descartável e isso obriga a troca por novos produtos.  Outro ponto que merece destaque nesse artigo é que a  maior parte do lixo produzido tem sido disposta de forma inadequada, a céu  aberto sobre o solo e há casos que vem contaminando as águas dos rios, córregos  e até mesmo o lençol freático.
Diante da apresentação do problema do lixo qual seria uma  solução viável em curto prazo já que o planeta Terra tem pressa? Inicialmente temos que pensar na educação. A  sociedade tem que estar educada e sensibilizada para o problema do lixo. A  coleta seletiva deveria ser uma regra e não uma exceção nos municípios, pois  isso viabilizaria a reciclagem, ou seja, a reutilização de materiais. Lembramos  que o impulso para reciclagem advém de dois processos: a geração de renda e o  amadurecimento de uma consciência ambiental. Existe um inegável trabalho realizado hoje no  Brasil pelos “catadores” de materiais recicláveis. Apesar do pequeno número de  prefeituras que declaram que têm programas de coleta seletiva de lixo, eles  estão presentes em todos os municípios buscando no lixo uma fonte de receita  para a sobrevivência.
Hoje é necessário fazer do lixo um meio de gerar  renda e empregos. A Revista da Indústria, publicada pela FIESP no mês de julho  de 2005, traz alguns números interessantes sobre a reciclagem, afirmando que o  aproveitamento de resíduos já é alto em alguns setores como, 97% em alumínio,  77,3% em papelão ondulado e 40% em PET. O economista Sebetai Calderoni, em seu livro  “Os bilhões perdidos no lixo”,  afirma que o Brasil perde anualmente  5,8 bilhões de reais, porque deixa de reciclar o seu lixo urbano,  deixando claro que nosso “lixo” vale muito e pode ser uma alternativa de renda  para muitas pessoas que se encontram desempregadas e até mesmo excluídas do meio  social.  Devo lembrar da compostagem da matéria orgânica  existente no lixo que pode se tornar um ótimo adubo orgânico, mas sobre esse  tema comentarei em futura oportunidade. Há também a  ligação do lixo com a geração de energia. Estudos mostram que a  matéria orgânica quando se decompõe, produz o gás metano (CH4) que é  um gás poderosíssimo de efeito estufa, pois é 21 vezes mais quente que o  CO2. Esse gás metano “solto” na natureza pode causar mudanças  climáticas.  Infelizmente o Brasil é  um grande produtor de gás metano. Das 180 mil toneladas produzidas por dia, 31%  é abandonado a céu aberto. Entretanto, o Ministério de Meio Ambiente fez uma  pesquisa analisando o lixo e os aterros de 91 cidades brasileiras onde constatou  que o potencial energético a partir do gás metano produzido por esses 91 aterros  é o suficiente para atender a 6,5 milhões de pessoas.  No Brasil a falta de vontade política  para solucionar o problema do lixo prevalece. Na maioria das cidades, não há  estimulo para a coleta seletiva por parte do poder público.
A energia para produzir novos produtos, que não foram reciclados, vem em sua maioria das hidrelétricas. Para construí-las, alagamos áreas onde populações viviam há séculos. Acabamos com florestas que fermentarão debaixo da água, aumentando a poluição e mataremos inúmeros animais silvestres afogados. O pior é que geralmente não há indenização condizente com a perda de suas terras para os antigos moradores do local. Há até o Movimento dos Atingidos por Barragens, que luta por seus direitos, quase nunca respeitado pelos poderosos. Não há estimativas oficiais quanto ao total de pessoas atingidas por barragens no Brasil. Mas de acordo com o MAB – Movimento dos Atingidos por Barragens, hoje presente em 15 estados brasileiros, esse número chega a um milhão de indivíduos, dos quais cerca de 70% nunca teria recebido nenhum tipo de compensação, seja em forma de projetos de reassentamento ou de indenização financeira.  Para Ricardo Montagner, membro da coordenação nacional do MAB, o número de afetados pode crescer consideravelmente em pouco tempo, levando-se em conta novos projetos previstos pelo governo federal. “Calculamos que cerca de 100 mil famílias devem ser atingidas nos próximos três ou quatro anos”, revela. Atualmente, cerca de um quarto da energia brasileira é consumida pela indústria de eletrointensivos – alumínio, ferro-gusa, papel e celulose –, num modelo de desenvolvimento questionado por Carlos Vainer, pesquisador do IPPUR/UFRJ – Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro.  “Estamos destruindo o nosso território para produzir energia para exportação, para atividades concentradoras de renda e que não atendem aos interesses da maioria da sociedade brasileira”, diz o pesquisador. A relativa baixa participação das eletrointensivas no PIB nacional e na geração de empregos, levando-se em conta o alto consumo de energia, são duas das principais críticas enfrentadas pelo setor.
Quanto se poupa com reciclagem: 1.000 quilos de papel = 20 árvores; 1.000 quilos de vidro = 1300 quilos de areia; 1.000 quilos de plástico = milhares de litros de petróleo – O plástico pode ser reciclado de sete a oito vezes e não perde as suas características e resistência; 1.000 quilos de alumínio = 5000 quilos de minérios – cada tonelada de alumínio reciclado economiza a retirada de 5 toneladas do minério de bauxita e 95% de energia.
Reutilização ou reciclagem do papel são algumas ações que você pode fazer para reduzir esses impactos ao meio ambiente. O simples ato de usar não só a frente, mas também o verso do papel para rascunho já dobra a sua vida útil. Além da economia no bolso, cada tonelada de papel economiza 20 eucaliptos. Considerando que uma pessoa use 100 folhas de papel por mês, se 1 milhão de pessoas decidirem usar o verso do papel, a cada mês serão preservadas florestas suficientes para recobrir 18 campos de futebol, e economizados 12 mil metros cúbicos de água – o suficiente para abastecer 806 mil famílias e poupada eletricidade para 10 mil residências. E tudo isso com um simples gesto de virar uma folha de papel do avesso.
No Brasil, são produzidos 125 mil toneladas de resíduos por dia. Só em SP são 15 mil t por dia. Você contribui com mais ou menos 1 kg de lixo por dia.  A chave para a diminuição desses números está no próprio conceito de lixo, que é tudo o que não presta e que se joga fora. Grande parte do que normalmente recebe esse tratamento, no entanto, não é lixo. Embalagens plásticas, vidros, latinhas e até o papel do jornal que você já leu são matérias-primas importantes, que podem ser reutilizadas ou recicladas.
Outro erro é achar que o eucalipto, o pinus etc, enfim, a monocultura, resolve o problema da produção de celulose sem causar danos ao meio ambiente. Com um só tipo de vegetação, não há animais. Muitos não encontram as suas presas nestes locais, devido ao fato de não haver frutos para elas se alimentarem. Então, por que ficar lá? O consumo de água passa até a ser maior, devido a sede dessas florestas. As plantas nativas dão lugar a essas culturas e todo o tipo de vida desaparece. Nem para plantarmos uma rocinha dá mais. O eucalipto tem uma raiz que se aprofunda no solo, que só se arranca com trator usado para o destocamento, equipamento caro e, dependendo do relevo, com possibilidades limitadas de uso. A produção de celulose exige alto investimento em capital (modelo capital intensivo): para a produção de um milhão de toneladas de celulose/ano são necessários 100 mil hectares de eucalipto e um investimento inicial de US$ 1,2 bilhão. Porém, gera poucos empregos para a população rural. O reflorestamento deste tipo gera, no Espírito Santo e no Sul da Bahia, apenas um emprego para cada 185 hectares plantados. O censo de 2000 mostra que, no Uruguai, cada mil hectares de reflorestamento geram 4,5 empregos. Um dos  problemas do reflorestamento é sua grande exigência de água, tanto para o desenvolvimento das florestas de pinus e eucalipto, como para o processo de produção da celulose. Na perspectiva mais otimista, estas plantas consomem por hectare a mesma quantidade da água da chuva que a terra recebe. Pesquisa realizada em 2005 na Argentina mostrou que em áreas de plantio de eucalipto, 53% dos rios e córregos diminuíram de volume  e 13% secaram. O ecologista Augusto  Ruschi, de saudosa memória (falecido em 1986), já denunciava no documento “Desertos de Florestas” que, no Estado do  Espírito Santo, onde há grandes áreas reflorestadas “Se considerarmos que na região dos eucaliptais da Aracruz Celulose e da CVRD ou Flonibra a precipitação anual chega em média a 1.400 mm/ano de chuva (o que não é suficiente para o eucalipto), a diferença necessária de mais de 2.000 mm é retirada do solo e do subsolo, tanto pela função osmótica como pela função de sucção das raízes. Retira até mesmo do lençol freático o restante da água que necessita (…) na Austrália, pátria de mais de 400 espécies de Eucalyptus, só se pode plantar, em cada região, as espécies que nela são nativas”. Como se vê, há uma política ecológica para o primeiro mundo e outra para os países pobres. Um dado complementar mostra que na África do Sul, com seus 1.600.000 hectares de eucalipto, consomem-se duas vezes mais água com eles do que com o plantio de alimentos.
Os transgênicos? As pesquisas são todas direcionadas para propalar maravilhas dessa produção. Só que os resultados negativos, como alergias e doenças diversas, contaminação do solo, água e ar, são totalmente desconsiderados. Quando um animal come a planta transgênica, cheia de veneno, já que ela foi modificada para “agüentar” muito agrotóxico, pode contrair inúmeras doenças e seu predador, ao comê-lo, também terá os mesmos problemas. A Águia Real é uma das milhares de espécies que está em processo de extinção, muito em virtude da sua alimentação. O pior é que o capim e as pragas das lavouras vão adquirindo cada vez mais resistência ao veneno e, por isso, precisamos contaminar ainda mais para combater os seres indesejáveis. Fica mais caro e envenena tudo à sua volta. Reportagem da Revista do Idec – Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor – relata que, em pesquisa divulgada recentemente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o uso de agrotóxicos e fertilizantes é apontado como a segunda causa de contaminação da água no país. “Algumas doenças, como alergias e câncer, são atribuídas aos resíduos de agrotóxicos nos alimentos”, continua a publicação. A propalada idéia da maior produtividade dos cultivos que usam adubos químicos e agrotóxicos e dos que se baseiam em organismos geneticamente modificados perdeu mais um round recentemente, quando a Embrapa Semi-Árido divulgou uma pesquisa, em parceria com a Universidade do Estado da Bahia – Uneb,  revelando exatamente o contrário: que a produtividade no plantio orgânico pode superar a do sistema convencional.  Não compre produtos transgênicos, como, por exemplo, óleo Lisa e Soya, que são livres de transgenia apenas para exportação. Para nós, o lixo! Por isso são mais baratos.
Uma das razões para isso está no dispêndio energético, mais vantajoso nos cultivos orgânicos. “Na agroecologia, o sistema energético é fechado. Todo o adubo tem que ser produzido na propriedade”, exemplifica Nodari. “Nos cultivos convencionais, o balanço energético, em geral, é negativo: a quantidade de energia que geram três toneladas de soja colhidas em um hectare, por exemplo, é inferior à quantidade de energia necessária para produzir os insumos e operacionalizar esse hectare de soja”. Outro fator favorável aos orgânicos apontado por Nodari diz respeito ao policultivo, sempre adotado neste sistema. “Mesmo que eu tenha uma planta de soja atacada por uma praga, ela não vai conseguir atacar o feijão, plantado ao lado”, diz ele.
A produção de gado, a monocultura, a exploração de minério, sempre com o aval do judiciário e das autoridades, danificam o meio ambiente e dá lucros enormes apenas para uns, enquanto a poluição, doença, devastação, desconforto etc são divididos para toda a população. É justo? Privatiza-se o lucro e sociabiliza-se o prejuízo. Aceitamos, mais uma vez, passivamente a isso – como sempre fazemos.
Outra forma de poluição, mais sutil, e por isso não levada tão em conta, é a sonora. Música alta, cachorros que latem sem parar, festas constantes e os ruídos provenientes de conversas, foguetes, tiros, trânsito, betoneiras, maquitas (ferramentas para cortar pedras), igrejas etc. Tem muitos inconvenientes no mundo, pessoas que não se preocupam se estão incomodando ou não. Alguns têm cachorros latindo o dia inteiro, muitas vezes durante toda a madrugada. Se os latidos não os incomodam, por que não colocam os seus cães ao lado de suas camas e se deleitam com os sons emitidos? Mas não! Eles colocam do lado de fora para incomodar os vizinhos. Outros ligam o som alto e não se dão conta que estão sendo incômodos. Muitos iniciam as suas festas após as 22:00 h. Igrejas ao lado de casa? Um horror! Alguns deuses devem ser surdos, pois como gritam alguns fiéis e pastores. E as festinhas, muitas regadas a gritos estridentes e fogos de artifícios, sem falar dos que têm armas e atiram diversas vezes em alguns alvos? Há os que têm sítio e acham que só por estar no mato não precisam respeitar os vizinhos, promovendo reuniões ruidosas em todos os fins de semana. Levam todo o infernal barulho da cidade para o mato e não respeitam o direito dos outros ao silêncio restaurador. Por não saberem observar e sentir os sons da natureza, não deixam que outros usufruam do canto dos pássaros, da lufada do vento, do farfalhar das folhas das árvores, do correr de um riacho. É fumaça de cigarros, de churrasqueira, ruídos, conversas, música alta, a todo o momento, interrompendo a contemplação alheia. Lei do silêncio não é mais das 22:00 h às 06:00 h. O silêncio tem que imperar durante todo o dia ou teremos determinado horário e licença para perturbarmos os outros?
Consumo exagerado? Se todos consumissem como os americanos, precisaríamos de 13,5 planetas. Não consumir é uma das chaves de proteção à nossa Casa maior. Estragou, consertou! Não troque sempre de celular, não descarte tão rápido o seu computador (um dos maiores problemas ambientais, pois produzem montanhas de plásticos e substâncias químicas poluidoras que são jogados no meio ambiente, que escorrerão para os lençóis freáticos, se ainda existirem nas proximidades). Quando reclamamos do belicismo dos EUA, digo que eles têm razão em invadir países, roubar as riquezas, matar e estuprar, já que eles são superiores e têm armas. Eles fazem com os povos menos armados o que fazemos com os animais. Nós não os assassinamos por termos armas também? Não nos consideramos superiores em relação a eles? Bom, de certo modo somos superiores em inteligência, mas será que a raça humana é tão inteligente assim, já que polui a água que consome, contamina o solo em que pisa, envenena o ar que respira e enche de agrotóxico os alimentos que come? Isso sem falar que seqüestra, mata, guerreia, briga, fofoca e destrói tudo sem se importar, sempre visando lucro, status, poder e conforto. Por isso, ao consumirmos os produtos desse povo bárbaro e belicista, estaremos fazendo com que eles se armem ainda mais, já que o nosso dinheiro vai para os seus bolsos e para a produção de armas, incentivando-os a se voltarem contra nós, invadindo nossos países. Nada de Coca-Cola, Mc Donald`s, viagem à Disney e Miami. Não usem Microsoft e, sim, Linux, que é de graça.
Por que ao invés de cimentar nossos terreiros não plantamos árvores? Além de não impermeabilizarmos o planeta, provocando mais inundações, ajudaríamos a limpar o CO2 da atmosfera, já que as árvores também se alimentam da poluição, transformando-a em carbono que está presente em sua madeira. Quanto mais árvores estiverem crescendo, mais poluição estará sendo capturada pelas árvores. Se cada habitante plantasse uma árvore, teríamos mais de 6,5 bilhões delas a ajudar-nos a despoluir o mundo.
Hoje trabalhamos mais para termos dinheiro e descobrirmos novas tecnologias para termos mais tempo livre. Só que gastamos o nosso dinheiro e tempo livre tentando nos livrar das doenças oriundas dessa loucura. Não seria melhor vivermos bucolicamente, sem a necessidade de tantos bens materiais, com mais água, árvores, animais, alimentação mais saudável e ar puro? Isso tudo é igual a menos doenças, stress, saúde e paz. Eu até hoje resisto à compra de um celular, pois estaria criando mais uma necessidade e preocupações para mim e essas já tenho em demasia.
E as pessoas que reclamam que perderam tudo na enchente, que reclamam do calor, dos insetos e doenças, têm razão? Talvez, mas onde está a floresta que segurava isso tudo? Realmente não dá para não desmatar, já que tudo que usamos vem da natureza, mas pode ser com sabedoria e sem a ganância de lucros enormes. Temos que pensar nas gerações que virão, minhas filhas e seus filhos e netos. Ou, então, eles é que pensarão em nós com enorme desgosto.
Vejam que interessante o artigo de João Luis de Freitas Valle (*) * É economista, consultor de empresas, fotógrafo e ecologista atuante, vinculado à ONG Roots & Shoots.
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Levamos em torno de 400.000 anos (data estimada para o aparecimento do Homo Sapiens) para atingirmos 1 bilhão de indivíduos. Porém, somente 200 para sextuplicar este número. A previsão é que por volta do ano de 2050 a população cresça 50%, indo para 9 bilhões de pessoas. Entre os anos de 1960 e 2002/2004, a produção agrícola per capita aumentou 33%. O consumo per capita de carne e papel aumentou respectivamente 90% e 108%. E o consumo individual de calorias passou  de pouco mais de 2200 para 2800 calorias diárias. O resultado disso é que o ser humano na média está vivendo melhor, tendo computadores, celulares, menor índice de mortalidade e maior expectativa de vida. Porém, este movimento de melhoria de nosso padrão de vida fez com que sextuplicássemos o número de habitantes nos últimos duzentos anos, poluindo rios e mares e devastando o nosso meio ambiente, a ponto de pormos a Terra em estado de colapso. O que afirmo é não dá para mantermos o nível de consumo de recursos que temos atualmente com 6, 7 ou 8 bilhões de pessoas. Cedo ou tarde teremos que fazer a difícil escolha entre diminuir a população ou nosso padrão de vida, com tudo que isto representa.  Contudo, existe ainda outro fator agravante. Este consumo desenfreado não está sendo igualmente distribuído entre os países. O nível e a qualidade do consumo dos países de primeiro mundo são muito, muito maiores do que os países em desenvolvimento.  Países como os Estados Unidos, Europa, Japão e China consomem muito mais recursos do que possuem, tendo que por isso importar tais recursos de outros países. Estados Unidos e Europa consomem 65% dos combustíveis fósseis, e 47% de todo gás natural produzido no mundo. As emissões de CO2 nos países desenvolvidos atualmente são de 11 toneladas por pessoa – em contraste as dos países em desenvolvimento, de somente 1,8 toneladas per capita. Estes fatos nos mostram duas histórias. A primeira é que está ocorrendo atualmente uma das maiores, senão a maior injustiça de todos os tempos, onde um pequeno grupo de países está usurpando o direito dos demais a um mundo limpo, preservado e despoluído. A segunda é que este excesso de consumo  bloqueará o acesso dos países em desenvolvimento ao primeiro mundo. Uma lição preciosa vem do passado, onde civilizações também entraram em colapso. Segundo o fisiólogo Jared Diamond em seu livro “Colapso”, todos estes países seguiram a mesma cartilha para destruição: consumo e esgotamento de recursos, crescimento populacional, devastação (não só ambiental, mas em todas as suas formas, como guerras, convulsões sociais, migrações maciças, etc…) e extinção. Países outrora desenvolvidos como os maias, os habitantes da ilha de Páscoa, os groelandenses, entre outros povos, virtualmente sucumbiram à falta de recursos. Neste nível, denominado colapso, sua população atingiu um nível máximo e o nível de recursos, o mínimo.  Neste cenário, houve em todos os casos, principalmente entre os groelandenses, o colapso total e a extinção de todos os habitantes da sociedade. Porém, existiram casos de sociedades que conseguiram achar uma solução para o binômio consumo de recursos versus aumento de população. A ilha de Tikopia, uma ilhota no Pacífico completamente isolada, conseguiu nos últimos três mil anos sustentar uma sociedade de 1200 pessoas sem destruir a natureza. A chave para isto foi uma administração eficaz de recursos e principalmente o controle (às vezes de forma cruel) da natalidade. Outros casos de sustentabilidade ambiental e social foram os povos das terras altas da Nova Guiné e o Japão.
Se analisarmos os cinco países com maior índice de desenvolvimento humano em 2003 (Noruega, Islândia, Austrália, Luxemburgo e Canadá) veremos que todos têm fatores em comum: Estrutura de estado e serviços públicos compatível com o número de habitantes  - Baixa concentração de renda. Alto nível sócio econômico da população que se traduz em um alto nível de bem estar per capita. A economia do  país é baseado em uma gama de produtos com alto valor agregado, como bens manufaturados, serviços e alta tecnologia. Normalmente estes países possuem um alto volume de importação de produtos básicos, matérias primas e alimentos. Porém, o segredo mais importante: “Balanceamento”. Estes países conseguiram efetuar o equilíbrio entre a oferta de bens e serviços e o número de pessoas que usufruem deles. Normalmente não têm a maior economia e nem são os maiores consumidores de recursos. O foco principal destes paises é o bem estar de toda a sua população. Provavelmente se o Canadá adotasse 100% do modelo consumista dos EUA, ele com certeza não estaria com o quinto melhor IDH.
Como poderemos tirar o coelho da sustentabilidade da cartola, respeitando as características e o grau de desenvolvimento de cada país? Portanto, a melhor solução sob meu ponto de vista será reduzir o consumo de recursos através da redução da população. Ou seja, se conseguirmos achar uma forma de equilibrar a população atual e seu consumo de recursos, conseguiremos não só desacelerar, como possivelmente reverter o processo de devastação atual.
Um dos mecanismos pelos quais poderemos fazer isso será reduzir o número de pessoas levando em conta o grau de consumo real daquela população. Desta forma, se fizermos um planejamento populacional contando com uma redução global de 10%, ponderaremos este percentual de forma que países que consumam mais recursos tenham uma redução populacional proporcionalmente maior. A grande força desta solução é que ela inibirá o consumo nos países desenvolvidos através da redução da população e a exploração de recursos nos países em desenvolvimento através da redução de demanda. Além disso, esta solução é extremamente flexível e abrangente. Poderá ser aplicada tanto regionalmente (pense no caso da cidade de São Paulo em relação ao estado ou no caso de um bairro em relação à cidade), como globalmente.
Algumas pessoas me falam que caso um plano como este fosse implementado, o mundo mergulharia em recessão durante várias gerações. O que eu costumo responder é que, caso a população e seu consumo não se reduzam, o mundo entrará em colapso para sempre. Ou voluntariamente decidimos reduzir cada vez mais nosso padrão de consumo à medida que a população aumenta, ou teremos que reduzir o número de pessoas consumindo. Penso que, por mais utópica que esta proposta soe, será muito mais difícil convencer uma pessoa a ter menos carros, celulares ou alimentos não essenciais do que fazer um programa de redução da população. Por outro lado, nunca tivemos tantas facilidades para sobrevivermos. É só olhar o estágio da medicina, da tecnologia, da educação e assim por diante. Temos que ter em mente que quase todos os imensos desafios que enfrentamos no decorrer da evolução humana foram sobrepujados. Caso consigamos manter o número de pessoas e o seu consumo sob controle, garantiremos um futuro brilhante para todo o mundo. Literalmente.
Ainda precisamos comer carne? Até os caninos em nossa boca estão sumindo, não só porque temos faca e garfo, mas por não precisarmos mais desse tipo de alimento. Quando morávamos em árvores, precisávamos consumir muita proteína para que nosso cérebro crescesse e tivéssemos mais inteligência. Hoje não mais, pois não somos nômades como outrora e já sabemos a ciência da produção de vegetais. Para adquirir proteína da carne, coloram os seus pratos com vegetais e legumes diversos. A carne nos dá diversos tipos de câncer, colesterol alto, gota, enfarto, entupimento de veias, torna-nos violentos e depressivos, ou vocês pensam que os animais ao serem mortos não produzem substâncias deletérias que ficam impregnadas em suas entranhas e que passam para nós? Além do mais, a sua digestão é bem mais difícil do que quando ingerimos vegetais. Ao sairmos de uma feijoada ficamos até letárgicos, ao contrário quando nos alimentamos com mais critério. Se comêssemos só vegetais não precisaríamos de tanto remédio. Somos iguais a peixe, morremos pela boca.
E os animais, esses sofredores? Ninguém para defendê-los, coitados? Isso é um capítulo à parte. Eles não têm como se defender. Quando pondero que os animais também sentem dores, têm tristeza, gostariam de continuar vivos com os seus filhos e famílias, dizem que eles nasceram pra isso. Não acredito, pois penso que nada nasceu apenas para morrer instantaneamente. Até a aleluia (o cupim) vive em média 2 horas. Quando vou ao mercado em época de Natal dá até vontade de chorar, ao ver milhares de leitões que não tiveram o direito à vida, sendo mortos com menos de 2 meses – pelo menos viveram mais do que as aleluias, dirão vocês, só que estas últimas cumpriram o seu ciclo de vida, com o mesmo não ocorrendo com os suínos. Aliás, estes deram um azar enorme. A carne deles caiu no gosto dos humanos e por isso são violentamente mortos. O que a maioria não sabe é que eles estão seguramente entre os animais mais inteligentes do planeta. Rivalizam até com os golfinhos. Aliás, no Natal é quando se matam mais animais. Eta espírito natalino porreta!
Dizem que comer carne é coisa de Deus. Pondero que Deus não apareceu para nenhum ser humano falando isso, dizendo que podemos causar sofrimento a eles. Quando dizem que desde que o mundo é mundo se come carne, devolvo na mesma moeda. Se for assim, desde que o mundo é mundo temos guerra. Logo, guerra também é coisa de Deus, haja vista que muitas guerras se travam em nome do Todo Poderoso. O pior é que criamos o bicho, damos nome para ele e, após, o vendemos ao açougueiro. Quando foge para o mato, escondendo-se, vamos até ele (olha a alegria dele ao nos ver) e vamos empurrando-o em direção ao açougueiro dizendo: “Já o vendi e não posso fazer mais nada”. Temos realmente bons corações. Dizemos que podemos matar e comer os bichos porque somos superiores. Se há uma raça superior em relação à outra, então Hitler tinha razão, não? A gente é tão cruel que quando os bichos estão com a doença da vaca louca, gripe aviária ou outras, simplesmente matamos milhões deles, mesmo que a doença não lhes faça tanto mal assim, mas apenas para saciar o nosso instinto cruel e a nossa sede de sangue. Por que não os deixamos vivos. Se for assim, quando o ser humano estiver gripado ou com Aids, temos que matá-lo também.
Quando matamos um boi – e é assim na maioria dos lugares, bem artesanal o seu assassinato -, desferimos inúmeras pancadas com machado, marretas etc em sua cabeça, quebrando chifre, cavidade ocular, dentes, rasgando olho, orelha, focinho e deformando toda a sua cara. Quando finalmente cai, enfiamos, sem dó, o facão no seu peito, mas nem sempre acertamos o coração. Assim, enfiamos mais facadas, mais facadas até que comece a sangrar em profusão, deixando-o vivo, agonizando, para o sangue sair lentamente para não encher a carne de bactérias. Depois, muitas vezes, já arrancamos o seu couro com ele ainda vivo. Não é legal o nosso ato? Com os porcos não há muita diferença. Vivem em cubículos e ao morrerem tomam “n” facadas até que sejam tosquiados vivos ou jogados na água fervente para arrancar suas peles. As galinhas, coitadas. Vivem em jaulas diminutas com 20 h por dia de luz em cima, para ficarem acordadas, comendo, até chegarem no ponto (vão viver apenas 2 meses) de “abate”, eufemismo para assassinato. Suavizamos as palavras porque assim é mais elegante. Não podemos falar e nem ver o que fazemos para podermos dormir com a consciência tranqüila. Alguém visitaria um matadouro para ver a sua bela obra? E, se o fizesse, teria o sono dos justos? Muitos morrem de dó, mas na hora do churrasco… “Ah!, não quero falar disso não, me dá nojo! Você é radical e inconveniente”.  Decerto têm razão, pois destruir tudo à nossa volta é bem mais coerente e menos radical, não? Aliás, fazendo uma digressão, sou sempre chamado disso. Só porque gosto de heavy metal e não gosto de ouvir sertaneja, música da Bahia, axé, funk etc. Ninguém é obrigado a ouvir a minha música, mas eu tenho que aturar a de todos. Não vou a diversos barzinhos ou boates, principalmente, por causa de cigarros, mas também em virtude da trilha sonora de, para mim, gosto muito duvidoso. “Você é radical!”, continuam a dizer. Quem sabe não tenham razão e eu deva ser obrigado a contrair ainda mais doenças, como, por exemplo, câncer e enfisema, ficar fedendo e outras coisas legais do tipo. Se não assisto aos filmes em cartaz, se não uso a roupa da moda, se não dou presente ou parabéns quando os outros comemoram seus aniversários (dou os parabéns quando passam em concurso ou fazem obras meritórias ou alguma outra atividade que requeira esforço próprio), se não chamo as autoridades de doutores (a grande maioria sem doutorado), se não dou dinheiro para festinhas de chefes, se não desejo Feliz Natal e Feliz Ano Novo, sou radical e insociável. Penso não ser apenas mais uma “Maria-vai-com-as-outras”, mais um anônimo na massa de manobra. Se luto contra injustiças e para isso tenha que sofrer inúmeras conseqüências assaz desagradáveis, continuo sendo radical, mas com a consciência bem mais limpa do que muitos que se acovardam e não saem do seu lugar-comum, calmo e confortável, mesmo que para isso tenham que se anular.
Não percam o entusiasmo logo agora que estamos chegando ao final. Continuem a ler, só mais um pequeno esforço e estaremos acabando. Afinal, vocês já chegaram até aqui. Não me decepcionem.
Voltando às galinhas, quando estas querem comer o grão maior da soja e do milho, elas têm os seus bicos queimados até à metade, para que eles não funcionem como pinças, evitando-se que comam apenas os grãos maiores e, sim, a ração que engorda rápido. Os seus pintinhos machos são jogados, vivos, em liquidificadores gigantes para virar ração para a própria mãe (ou virar caldo knor – knor é melhor, não é mesmo?). Assim começa a gripe aviária, a doença da vaca louca etc. As lindas codornas macho são atiradas em sacos de lixo e, quando estes estão cheios, são lacrados à espera do lixeiro. Divino! E os cães em diversos países? São jogados vivos em água fervente e mantidos vivos. Depois, têm suas peles arrancadas, vivos também e muitos ainda têm as quatro patas quebradas e amarradas para trás, para que sintam dores e liberem adrenalina, melhorando o sabor da carne. Legal, né? Os cavalos  são outros desvalidos da sorte. Trabalham a vida toda e quando estão velhos demais para carregar peso, vão para abatedouros, onde têm as suas pernas cortadas, apanham para que saiam correndo só nos toquinhos, a fim de suarem, retirando o gosto ruim da carne, para que virem deliciosos salames, mortadelas e embutidos diversos da Sadia e Perdigão. Delícia! O que dizer então do Baby Beef, um bezerro, macho, que certamente não produzirá leite. Por isso terá o seu castigo exemplar e ficará confinado em um espaço exíguo, onde nunca dará um passo, não se sentará – pois não tem espaço para isso -, não verá a mãe, o sol e se alimentará apenas de leite pobre em nutrientes e ferro, para que fique bem anêmico, mantendo a carne branquinha e macia, para que em duas semanas… esteja sendo um sucesso nos restaurantes caros. Como também o foie gras, que é quando empanturramos os gansos de milho, enfiando um funil gigante em sua garganta até que ele dê vômitos, fazendo com que o seu fígado se inflame. Quando isso acontece, pegamos esse órgão e fazemos a fina iguaria. Caríssima e deliciosa. O resto jogamos fora.
Entretanto, do mesmo modo que a culinária é uma arte tão sofisticada, ela também abre espaço para o exercício da crueldade. Hábitos absolutamente bárbaros, nojentos até, se infiltram sorrateiros nos cardápios e nas cozinhas mais respeitadas do mundo. Carnes sangrentas, dignas de um Conan, O Bárbaro, ostentam sua feiúra e vulgaridade nos pratos de porcelana pintada à mão. Pessoas feias e insensíveis fazem cara de “gourmets” enquanto limpam seus lábios tintos de sangue em finos guardanapos de linho. Mas, de todas as grosserias jamais criadas pelo homem em suas peripécias culinárias, de longe se destaca o foie gras. Acho que, em termos de comida criminosa, o patê de fígado de ganso doente só se equipara aos horrores da vitela — quem pode negar o mau gosto de se devorar pedaços de filhotes anêmicos? E o pior é que chefs de cozinha empregam seu talento e imenso potencial na criação de pratos que levam esses horrores criminosos como principais ingredientes… O fruto da tortura e da morte cruel não pode ser saboroso: ele é, em essência, repugnante e aversivo. Está em suas mãos fazer uma opção pela vida – a natureza oferece uma infinidade de frutas, grão, legumes, verduras e hortaliças, lindas, refinadas, saborosas. As fragrâncias vegetais são tão mais aprazíveis que o cheiro adocicado de sangue… Há um leque infinito de nuanças de sabores vegetais que esperam para serem exploradas, compreendidas, transmutadas pelas mãos de “culinartistas” ousados e competentes. O gosto da morte é repulsivo. Se tentarmos imaginar essa dor e sofrimento, então chegaremos perto de compreender a agonia pela qual passam aproximadamente 10 milhões de gansos e patos a cada ano, antes de serem mortos para satisfazer os paladares “refinados” dos seres humanos que consomem 16.800 toneladas de seus fígados em todo o mundo (em 1998). A França é a maior produtora com quase 80%; depois vem a Hungria, Espanha, Israel e outros países como EUA, Bélgica, Bulgária e Romênia produzindo o restante. Durante os vários dias de alimentação forçada, esses patos e gansos são mantidos em pequenos compartimentos. Isso torna mais fácil para os funcionários agarrarem as aves pelo pescoço e inserirem funis e tubos metálicos de alimentação pela garganta abaixo. Quando comemos demais, sentimos necessidade de levantar da mesa e nos movermos para uma posição mais confortável. Esses patos e gansos não têm nem mesmo esse privilégio. Eles mal podem se mover, o que aumenta ainda mais o seu desconforto. As aves se debatem para se afastar desses “alimentadores” toda a vez que os vêem, mas seu confinamento impede esse esforço. Os funcionários pegam os gansos ou patos um de cada vez, os prendem e os forçam a abrir seus bicos para introduzir um cano de metal de 20 a 30 cm que vai até o estômago. Então eles acionam uma alavanca que bombeia a ração de milho direto ao estômago da ave. Cada ave é forçada a ingerir até 3,5 kg de ração por dia. Em alguns casos os funcionários colocam um anel elástico  apertado no pescoço da ave para o caso de ela tentar regurgitar a ração. Isso ocorre de 3 a 5 vezes por dia. A ração é composta de milho cozido e às vezes inclui gordura de porco ou de outros gansos com sal. Esses 3,5 kg de ração para os gansos seriam o equivalente a um humano ser forçado a comer 12,5 kg de macarrão por dia. Para aqueles que ainda podem estar duvidando, essas criaturas sentem medo e dor. Depois de 4 semanas de alimentação forçada, os patos e gansos são abatidos (???). Na maior parte das vezes, seus fígados estão inchados de 6 até 12 vezes o tamanho normal – formando massas pálidas e inflamadas do tamanho de melões em vez de órgãos firmes, pequenos e sadios. Os animais assim ficam com dificuldades de andar e respirar de tanta dor por ter um fígado inchado. Quem já teve problemas hepáticos sabe do que falo. E não precisa muita imaginação para perceber que toda essa alimentação forçada pode causar outros danos físicos também.  Em um estudo realizado em uma “fazenda”, quase 10% de todas as aves morriam com o estômago rompido, com alimento entrando no pulmão ou por doenças e infecções causadas pelos tubos de alimentação sujos. Um veterinário que acompanhou uma investigação na Commonwealth Enterprises disse que “todos os patos exibiram sinais de doenças. Muitos deles estavam incapacitados para andar ou ficar sobre seus pés. Alguns exibiam deformações dos bicos”. Um outro afirmou que “a alimentação forçada pode machucar a boca e o esôfago … as aves parecem estar doentes; seus olhos estão embaçados e suas penas desalinhadas”. Um terceiro veterinário que acompanhou a polícia notou que “nenhum dos patos estava tentando limpar suas penas. Somente patos extremamente doentes e estressados deixariam sua plumagem se deteriorar ao ponto visto nessa filmagem”. Um patologista de animais selvagens do estado de Nova Iorque que examinou os patos da Commonwealth declarou que “se esse tipo de coisa estivesse acontecendo com cães, seria interrompida imediatamente”. Ele expressou horror diante dos “fígados extremamente inchados, produto da alimentação excessiva à força (os fígados são facilmente rompidos pelos menores traumas)” e diante de um dos patos que tinha “uma laceração do fígado com hemorragia interna. Esse tipo de tratamento e método de produção de aves está fora das normas de agricultura e tratamento sadio dos animais”. Quarenta e três veterinários de Nova Iorque assinaram uma declaração de que a produção de fígado de ganso deveria ser banida porque o “foie gras” nada mais é do que uma lipidose hepática, uma doença do fígado:  ”Animais sob essa condição devem se sentir extremamente mal … a produção de foie gras, por definição, constitui uma evidente crueldade animal”. A produção de fígado de ganso já foi banida na Alemanha, Dinamarca, Noruega e Polônia. Apenas os patos (machos) são usados para fazer o patê – eles produzem fígados maiores e são considerados mais capazes de resistir às 4 semanas de tortura. As patinhas fêmeas são tratadas como lixo – literalmente. Normalmente os funcionários entulham as patinhas em sacos de nylon. Os sacos são amarrados e jogados em latões com água escaldante. Os funcionários matam as sobreviventes esmagando suas pequenas cabeças contra as bordas do latão. Essa é uma indústria extremamente cruel e desumana, e nós, como consumidores que compramos e comemos seus produtos, precisamos parar de sustentá-la. Já é tempo de sermos mais compassivos com os seres que estão à nossa mercê. O patê de fígado de ganso faz engordar e adoecer, da mesma forma que as infelizes aves torturadas para essa produção. 85% das calorias do patê são gorduras – mais de duas vezes o de um hambúrguer! O cardiologista David T. Nash adverte “essa gordura é em grande parte ácido palmítico, gordura saturada conhecida por aumentar o colesterol”.
Temos também as cobaias de laboratórios, que sofrem todo o tipo de horrores. Progresso à custa do sofrimento de outros seres é moral? Como dizem, “caridade com o chapéu dos outros é fácil”. Vão ser cobaias vocês! Por que não usamos os presos irrecuperáveis para testar os cosméticos, as vacinas, os alimentos, as próprias doenças e limites do corpo humano, ao invés dos animais? Afinal, quem precisa de batom, rímel, tinturas, desodorantes, diversas outras perfumarias e anticorpos para inúmeras doenças não são necessariamente os coelhos, macacos, porcos, ratos etc, não é mesmo? Não seria mais lógico? Assim, pelo menos, eles teriam alguma utilidade, ao contrário de apenas armarem rebeliões, seqüestros e assassinatos. E os outros animais aprisionados, não é triste? A alegria do homem ao ouvir um canto do pássaro na gaiola é a tristeza deste. Muitos chegam a me falar que a gaiola é espaçosa e o pássaro vive muito bem ali. Retruco (para variar) que se a gaiola é condizente com um animal que precisa voar milhares de quilômetros, então as nossas casas e prisões deveriam ser de, no máximo, 1,00×1,00 metro quadrado. Afinal, não percorremos tantas distâncias assim, a exemplo dos nossos irmãos alados. A título de ilustração, sabiam que as gelatinas (aquelas iguarias coloridas e molinhas) são produzidas usando-se ossos, peles e tendões dos bois, que são fervidos até se desmancharem? De-li-ci-o-so!
E os casacos de pele? Mais um sentimento dos humanos (principalmente das madames riquíssimas e fúteis) que deveria ganhar medalha de honra ao mérito. Matam-se os animais apenas para se tirar a pele. Isso quando matam. Há ocasiões em que os animais têm as suas peles arrancadas e são deixados vivos, até morrerem de forma cruel, aliás, vamos aplicar um superlativo absoluto sintético digno da capacidade humana de fazer o mal, de forma crudelíssima. Muitas vezes os caçadores deixam suas armadilhas e, quando um filhote é pego em uma delas, tendo a sua perna presa, a sua mãe fica em desespero tentando libertá-lo e no auge do seu sofrimento acaba por amputar a perna do seu rebento para que ele se livre da tortura. Neste ponto, quero parabenizar a Gisele Bündchen, a famosa modelo brasileira. Ela já participou de vários desfiles de modas usando casacos de pele. Perguntada se isso não era uma forma de disseminar a crueldade, ela simplesmente declinou a culpa (como nós também fazemos em relação à sorte dos animais que comemos), dizendo que ela não mata e se os outros fazem roupas com peles e pedem-na para desfilar, ela apenas desfila. Lindo e generoso da parte dela. Ela tem razão – e um excelente coração -, pois precisa amealhar mais alguns milhões de dólares, mesmo à custa de muito sofrimento alheio. Ela poderia fazer muito para acabar com essa prática, mas, ao invés disso, apenas contribui provocando mais dores, da mesma forma que os caçadores, torturando e assassinando mais animais inocentes. Em cada 10 animais silvestres aprisionados para contrabando, cerca de 90% perecem antes de chegarem ao seu destino também cruel: gaiolas lindas para exposição em zôo particulares. Quem deveria estar nas nessas gaiolas não são os animais capturados.
E o que dizer das atrocidades com os animais de circo e rodeio? Um urso, por exemplo. Ele tem os seus pais mortos e, então, é levado embora da vida selvagem. Para que fique dócil e obediente, os bondosos seres humanos colocam uma argola atada a uma corda no seu focinho, que é a parte mais sensível dele. Como qualquer puxão provoca dores lancinantes, o pobre urso é obrigado a obedecer aos comandos dos seus algozes. Para aprender a dançar, outra maravilha humana: os animais são colocados sobre brasas. Imaginem que delícia. E os cavalos nos rodeios, que têm uma cilha amarrada na genitália? Os organizadores dos torneios (???) e os vaqueiros dizem que não dói. E se fizéssemos o contrário, colocando a cilha nos seus testículos? Com certeza seria prazeroso e divertidíssimo. Ficaria parecido com o Coliseu.
Os chineses aprisionam os ursos em gaiolas diminutas e ligam fios elétricos em seus corpos, a fim de extraírem bile dos mesmos, através de choques fortíssimos. Sabem para quê? Para fazerem afrodisíacos. Devido à posição sempre deitada, não podendo se mexer, quanto mais virar os seus corpos, esses animais são acometidos de câimbras e dormências durante o resto de sua maldita vida. Se caminhamos para a evolução, se tudo evolui, como podemos voltar no tempo e praticar atos que caracterizavam os povos primitivos, nos tempos da barbárie? Ademais, extrair bile de um ser vivo sob tortura, a pretexto de conseguir um elixir para impotência sexual, é inaceitável, para mim. Desde quando qualquer parte de um ser vivo que é submetido a sofrimentos atrozes pode ser de valia a outrem? Será que os chineses, ditos como conhecedores dos mistérios da vida, não conseguem observar que o fruto dessa extração se transformou em veneno? Essa secreção está plasmada de medo, dor, sofrimento e desesperança e em nada vai ser útil a um ser humano. Eles condicionam livrarem os animais da escravidão e tortura só quando outra substância for encontrada para esse fim, mas, se não a descobrirem, continuarão insensíveis à dor alheia? Causa-me asco e desprezo esse  comportamento.
Com certeza nós devemos falar, bem demagogicamente: “Eu não mato. Quem mata são os outros”. Lindo e maravilhoso esse ato e pensamento de Pôncio Pilatos. Lavamos as nossas mãos e não as sujamos com o sangue de milhares de seres vivos que não deixamos viver. Parabéns! Somos realmente muito úteis ao planeta e temos a virtude e compaixão inerentes ao ser humano: destruir, matar e guerrear. Ninguém quer assumir a sua belíssima obra de sofrimento e nem visitar um matadouro. Sem ver, a consciência fica limpa e dormimos felizes e tranqüilos, enquanto os animais são torturados, estripados e esquartejados. Hoje os animais não têm inteligência e nem alma, separamos os filhos de pais e irmãos, maltratamos todos eles, tal e qual era feito com os escravos, que até há pouco mais de 100 anos também não tinham alma, pois eram mercadorias. Mas se nós não os comêssemos, outros não os matariam, pois não teria demanda. É uma cadeia cruel em que ninguém é inocente. Já há pesquisas vinculando o consumo de sangue com a violência. Se eu pago alguém para matar uma outra pessoa e se esta é presa como assassina, eu também não deveria ser preso pelo mesmo motivo? Ou eu não matei? Da mesma forma com os bichos: se falo para o fazendeiro que pode queimar as florestas e matar o bicho que eu como, não sou eu quem estou matando? Há diferença entre os dois atos?  A propósito, se eu defendesse o direito dos escravos há pouco mais de 100 anos, diriam que eu era radical e incoerente. Hoje ocorre o mesmo com os animais, muitos não aceitam que eles também tenham direito à vida. Se os matadouros (ou assassinadouros) tivessem as paredes de vidros, ninguém mais comeria carne. Mahatma Gandhi disse certa vez que “A grandeza de uma nação e de seu progresso moral pode ser julgado pela maneira com que seus animais são tratados”.
Tem pessoas que ficam indignadas com a matança das foquinhas no Canadá, mas, sinceramente, não entendo o porquê. Como dizem os agentes de turismo, é apenas um novo tipo de esporte de inverno e uma forma corriqueira dos turistas se divertirem. Alguns ainda levam as peles para casa, um souvenir após uma viagem não é nada mal. Já outros, mais profissionais, vendem-nas. Qual a diferença entre o que acontece com essas focas e o que ocorre com os bois, frangos, porcos, patos etc? Só porque as primeiras são mais bonitinhas? Para mim não há diferença nenhuma. Todos esses seres vivos sentem – muitas – dores e sofrem em demasia. Antes de se lamentarem pela morte de milhares de animais – algo corriqueiro, pois acontece diariamente – olhem para os seus pratos e pensem nisso na hora de se alimentarem. Ou, então, esqueçam-se das focas e nem lamentem a forma cruel e violenta com que são “abatidas”, pois na fala dos canadenses isso é esporte. Este é, entre muitos, o principal motivo pelo qual bani qualquer pedaço de “cadáver” em minha alimentação, que nada mais é do que um animal que tinha todo o direito de continuar vivendo entre nós.
Sou vegetariano (aposto que ninguém percebeu isso) em primeiro lugar pelos animais e depois pelo planeta. Minha mulher ainda dá um pouquinho de carne para as minhas filhas de 2,4 e 3,6 anos, à minha revelia. Mas já disse a ela que é só elas crescerem um pouco que as levarei para um lindo passeio a um matadouro. Quero que elas tenham consciência do sofrimento que causam às outras espécies. Quando minha mulher fala que podemos dar carne para elas agora e quando elas forem mais velhas decidirem por conta própria se páram com isso, concordo e digo que darei cigarros e bebidas também. Já que é tão fácil tirar certos costumes arraigados, quando forem mais velhas elas decidirão se querem continuar ou não com a prática do vício. Por falar nisso, vejam o vídeo “A carne é fraca”, produzido pela Ong Instituto Nina Rosa.
O consumo consciente, cada vez mais recomendado como basilar na preservação dos recursos naturais, também passou a preconizar a adoção de hábitos alimentares mais ligados à terra dos que às indústrias. Recentemente, o Instituto Akatu, referência neste tema, divulgou reportagem sobre um estudo acadêmico, feito nos Estados Unidos, a partir do qual se comprovou que os hábitos alimentares têm relação direta com a “saúde” do planeta. De acordo com a pesquisa, adotar uma dieta vegetariana é uma forma simples de consumir sem agredir o meio ambiente, enquanto que hábitos alimentares com predominância de comida industrializada e rica em proteína animal contribuem diretamente para um dos problemas ambientais que mais ameaçam o mundo: o aquecimento global. Ainda segundo a reportagem, a pesquisa mostra que a produção, a estocagem e a conservação de alimentos enlatados, embutidos e fast-food – todos com processamento industrial – é responsável por cerca de 20% da queima de combustíveis fósseis (derivados do petróleo) nos EUA. Assim, a dieta típica dos norte-americanos emite gases de efeito estufa em quantidade equivalente a um terço da emissão de todos os carros, motos e caminhões do país. Os transportes são apontados como o segundo maior causador do superaquecimento do planeta, ficando atrás das queimadas para pastagens. Gidon Eshel e Pamela Martin, os autores do estudo, comparam as diferenças entre uma dieta vegetariana e outra composta por produtos industrializados – em relação à poluição gerada na sua produção – às mesmas existentes entre um carro de passeio e um jipe utilitário. Eles alertam que a capacidade de destruição do meio ambiente de uma dieta como a dos norte-americanos é tão grande quanto à do setor dos transportes. Mas ressaltam que pequenas mudanças nos hábitos alimentares das pessoas podem ter um impacto positivo muito grande. “Se cada um que come dois hambúrgueres por semana cortasse essa quantidade pela metade, a diferença já seria substancial”, disse Eshel, professor-assistente em ciências geofísicas, ao jornal da universidade. As conclusões do estudo incluem a classificação de alguns tipos de dieta conforme a quantidade de gases de efeito estufa emitidos em todas as etapas da produção. Os resultados são algumas vezes surpreendentes: em primeiro lugar, como a que menos impactos traz para o equilíbrio climático da Terra, ficou a alimentação vegetariana (inclui ovos e derivados de leite), especialmente a composta de alimentos orgânicos. Em seguida, vem a dieta com base em carne de aves. Em terceiro lugar, vem a alimentação industrializada típica dos norte-americanos. Empatados na última colocação, ficaram a carne de peixe e a carne vermelha. A colocação dos peixes em último na lista é explicada pelo fato de que, em geral, a pesca e o congelamento de algumas espécies envolvem muita utilização de combustíveis derivados de petróleo. Conheça o estudo completo (texto em Inglês). Por incrível que pareça, os que afirmam comer peixe para poupar as florestas não sabem que essa prática é quase tão poluidora quanto queimar florestas, já que a conservação desse alimento requer muita energia. Precisamos transportar,  armazenar e congelar o produto e isso traz muita poluição.
Se precisássemos de, ainda, comer carne, eu já estaria morto há mais de 3 anos. Era carnívoro também – e assumo isso. Quando dizem que estou agindo com falsidade, pregando uma coisa totalmente diferente do meu estilo de vida de até há pouco tempo, digo que um ladrão também tem o direito a se regenerar, ou não? Temos é que evoluir e nos conscientizar do mal que fazemos ao planeta e às outras espécies. Falam que nada adianta só um parar de ingerir carne. Mas pensem: se como 10 coxas de frango por mês, no ano estarei comendo 120. Se parar de me alimentar delas, serão 60 frangos que estarão vivos por mais um tempo. Para eles faz toda a diferença, ou não?
Temos que ter muito cuidado doravante, pois podemos estar vivendo um processo irreversível. Faremos em grande escala o que foi feito na Ilha de Páscoa, que teve toda a sua vegetação suprimida, acabando inclusive com o homem. Só que com muito mais poluição e doenças.
Tudo dito, ou melhor, escrito aqui é a realidade estampada na nossa face, mas não conseguimos enxergar direito, estamos muito ocupados em parecer belo aos olhos dos outros, em ficarmos riquíssimos, em consumir, em obter as novas tecnologias, em torcer pelo Brasil-futebol (apenas para o Brasil de chuteiras, representado pelos riquíssimos jogadores – que eu detesto e afirmo que isso de torcer para eles não é ser patriota) e não para um Brasil-país melhor, com mais hospitais e escolas de qualidade, com mais obras voltadas ao bem comum, mais empregos, com menos corrupção e violência e, principalmente, com mais distribuição de riqueza e muito menos desmatamento. Temos que ser também, agentes políticos, cobrar dessa corja que atua no Congresso e nas Assembléias e não só depositar o voto e achar que é cidadão. Participar de assembléias, de movimentos de bairro, de escolas, de condomínios, enfim, temos que atuar, pois a tendência é só piorar, muito em função da nossa inércia. Ou vocês acham que políticos se preocupam com o povo?
Este que escreveu este texto recicla quase tudo que produz, inclusive, muito material de seu serviço e da casa de seus pais. Tenta orientar quem usa a vassoura hidráulica (mangueira de água) que ao invés de varrer gasta muitos litros de água tratada, cara e que precisamos buscá-la a cada dia mais longe, recebendo em paga insultos, palavrões, desdém e ameaças (uma das repostas é que “se acabar a água, não preciso lavar mais a calçada”). Por outro lado, mais raramente, encontra pessoas compreensivas que não sabiam da destruição do mundo e dizem que doravante vão se esmerar na economia de tudo. Este escriba usa sempre rascunhos e pequenos pedaços de papel. Reclama quando vê uma torneira aberta ou luz acesa, ambas sem necessidade. Refloresta um antigo pasto para os animais silvestres que não têm mais onde viver dignamente (além de servir para conservar as 5 nascentes do local). Plantou mais de 15 mil árvores nos últimos 4 anos. Pesquisa e distribui diversos assuntos sobre ecologia, seja pela internet ou pessoalmente.
E vocês, o que fizeram ou têm feito?    Para as pessoas que acham que não adianta fazer a parte delas, pois a maioria não faz nada, digo o seguinte: Relevância: “Essa questão, fato ou tema é importante e me afeta”; Interdependência: “O que cada um faz, afeta todos”; Ações Cotidianas: “Ao longo do tempo, mesmo poucos fazem muito”. Cidadania: “Todos juntos fazem muito em pouco tempo”
Tenho por mim que a raiz de nossos problemas está na falta de educação. Educação formal, ambiental e humanitária. Se tivermos escolas, de qualidade, que fique bem claro!, teremos cidadãos conscienciosos. Sendo assim, saberemos exercer em sua plenitude o direito de reivindicar uma divisão igualitária de todo o lucro proveniente de tudo produzido no Brasil e no planeta. Exigiremos e teremos escolas gratuitas, assistência médica, segurança, empregos, bem-estar, lazer, qualidade de vida, oportunidades e direitos iguais para todos, minimizando a pobreza e a violência ora existentes, além de respeitarmos mais a natureza, permitindo a todos os seres que nos acompanham em nossa jornada o direito de existirem sem serem trucidados e comidos. Este último tópico amenizaria, também, a degradação do planeta, evitando-se o aquecimento global e a suas nefastas conseqüências. Por sermos sempre violentos com os animais e com toda a natureza ao nosso redor, banalizamos nossos atos crudelíssimos e os aplicamos, também, aos seres humanos.
O nosso maior problema não é a violência e, sim, a falta de educação. Com educação saberemos que não somos apenas massa de manobra à mercê dessa corja que abunda no meio político e dos empresários inescrupulosos, ambos nos explorando, sociabilizando os prejuízos (poluição, destruição do meio ambiente, má gestão dos serviços públicos, corrupção, sonegação etc) e privatizando os lucros (quase tudo para eles: sentenças favoráveis, dinheiro polpudo nas contas, imprensa a favor, bens materiais…). São essas atitudes dos dois lados (omissão e preguiça x ganância e falta de escrúpulos) que permitem que seres humanos sejam transformados em assassinos sem coração, verdadeiras bestas sanguinárias.
Com escolas, empregos, bem-estar e ocupação sadia não sobrarão tempo, vontade e, tampouco, motivos para continuarmos cometendo crimes de toda a sorte, hediondos ou não, e isso seria a chave para a extinção da barbárie.
Espero que agora vocês sejam mais uns na luta contra a destruição de nossa Casa Maior. E que fique bem claro: o homem é a única espécie que não faz a menor falta ao planeta, ao contrário, se ele sumir, a Terra só terá a ganhar. Divulgue isso a todos que puder. Amplexos a todos e ósculos a todas. Quem quiser outros informes ecológicos, é só me comunicar.
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No dia 19 de maio de 2006, a Adital publicou o artigo “Soja Destrói Amazônia”, que descrevia as recentes ações do GreenPeace contra a Cargil, produtora e exportadora de soja da região. O artigo citava Paulo Adário, coordenador brasileiro da operação: “Empresas estadunidenses como a Cargill estão devorando a Amazônia para cultivar soja. A carne alimentada com essa soja termina nas prateleiras dos supermercados e restaurantes fast food pela Europa e outros países”. Fora isso, o artigo fez breves comentários sobre o fato de o cultivo de soja ser o maior fator de destruição da floresta amazônica. Falou-se que o GreenPece havia publicado recentemente um relatório intitulado “Comendo a Amazônia”, mas não se fez alusão ao conteúdo deste relatório, nem onde encontrá-lo. De qualquer forma, entre os mais de mil artigos sobre meio ambiente publicados pela Adital nos últimos seis anos, o texto supracitado foi o único que fez menção ao fato de a Amazônia não estar apenas sendo destruída impunemente, e sim sendo comida, voraz e cegamente, pelos consumidores de carne bovina Brasil e mundo afora. Há centenas de artigos circulando na Internet que confirmam esse fato, baseados em inúmeras evidencias irrefutáveis. No entanto, parece que os meios de comunicação, inclusive os mais alternativos, engajados e confiáveis, deixam de relacionar destruição ambiental ao consumo de carne.

Fala-se em criação de gado como se os gigantescos rebanhos fossem um mal em si, existindo e se reproduzindo para adornar pastos. Fala-se de cultivo de soja como se sua exportação não fosse quase inteiramente destinada à produção de rações para animais criados em regime de pecuária intensiva de países ricos.

Em resumo, sempre que a mídia se debruça sobre as causas do aquecimento global ou da devastação das florestas tropicais, e esses temas aparecem com freqüência crescente, come-se uma mosca do tamanho de um boi ao não informar aos leitores que 90% de cada hectare de mata derrubada ou queimada na Amazônia ou são comidos na forma de carne pelas classes mais abastadas da região sudeste (responsável por mais de 70% do consumo da carne proveniente do norte do país), ou devorados, na forma de soja, pelos bois, porcos, carneiros e outros bichos que vão parar no prato dos já robustos habitantes de países desenvolvidos, que não têm mais mato para queimar.

Não se trata de abordar essa questão sugerindo ao leitor que deixe de comprar e comer carne de uma hora para outra, ou garantir que essa seria a solução milagrosa para os problemas ambientais brasileiros. Trata-se de instigar o leitor a refletir sobre o assunto e deixá-lo ciente do fato de que a floresta amazônica está desaparecendo bem debaixo do nariz de cada um: na boca. E de convidá-lo a assumir sua parcela de responsabilidade nesse desastre ambiental cada vez que entra num açougue. Que ele saiba que a Amazônia não esta sendo destruída pelos “outros”, mas sim por todos e por cada um, um pedacinho de cada vez, uma, duas e até três vezes por dia!

A título de ilustração, há um estudo que revela que, a cada minuto, uma área de floresta tropical equivalente a um campo de futebol (cerca de um hectare), é queimada para dar lugar a um pasto cuja produção total de carne será equivalente a um engradado com 257 hambúrgueres. Outros exemplos e dados contundentes estão no artigo Você já comeu a Amazônia hoje?, de João Meireles Filho, do Instituto Peabiru. Vale a pena ler na integra: http://www.consciencia.net/2006/0128-meirelles-filho-amazonia.html . Eis um trecho de sua fala: Poderíamos resumir a história do desaparecimento da Natureza do Brasil em uma única lápide: “virou bife”

Nota de ADITAL: Os leitores que têm vontade de aprofundar o assunto Amazônia oferecendo algum artigo, pesquisa, entrevista, etc., dentro do estilo de nosso site, podem nos contatar
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*Raquel Ribeiro, jornalista, São Paulo

Fonte: Adital

O filme Uma Verdade Inconveniente de Al Gore ganhou o Oscar de melhor documentário de 2006. A clara mensagem do documentário é que os governos, a indústria e as pessoas devem cortar o uso de combustíveis fósseis, e logo.

Também podemos desempenhar um forte papel para uma mudança positiva mudando aquilo que comemos. A mudança do clima global está diretametne relacionada com a agricultura mediante a perda das áreas silvestes para pastos de criação de bovinos, liberação de metano pelos animais e o uso intensivo de energia para fertilizantes, pesticidas, processamento e transporte dos alimentos.

Comendo baixo na cadeia alimentar, alimentos orgânicos e cultivados localmente podemos fazer uma diferença significativa.

Artigo completo em:

http://veg.ca/content/view/136/111/

Veja também: CONSUMIR PRODUTOS DE ORIGEM ANIMAL CONTRIBUI PARA O AQUECIMENTO GLOBAL

5/12/2006

Excremento e abertura de pasto respondem por 18% dos gases do efeito estufa; 9% da emissão mundial de dióxido de carbono (CO2) vem dessa atividade, que está ligada à queima de combustíveis fósseis e à conversão do solo em pasto; 65% do ácido nitroso emitido no mundo é resultado da alimentação dos animais; este gás-estufa é 296 vezes mais perigoso para o ambiente do que o CO2; 37% do metano produzido por atividades humanas vem principalmente do sistema digestivo dos ruminantes; o gás é 23% pior do que o CO2. Esses são alguns dados do relatório A grande sombra do gado, da FAO. As informações são de reportagem de O Estado de S. Paulo, 30-11-06, e reproduzida na seqüência.

A pecuária agrava mais o efeito estufa do que o setor de transportes, com um impacto nocivo na natureza. O cálculo não vem dos ambientalistas mas de um dos bastiões internacionais do setor, a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO).

No relatório A grande sombra do gado, a FAO diz que os gases emitidos pelos excrementos e a flatulência, pelo desmatamento para formar pasto e na geração de energia gasta na administração do gado respondem por 18% dos gases-estufa emitidos anualmente no mundo.

“O gado é hoje uma das coisas que mais contribui para os problemas ambientais mais sérios da atualidade. É preciso tomar uma ação urgente para remediar esta situação”, disse Henning Steinfeld, chefe da FAO para a questão e principal autor do relatório.

O documento tem mais de 400 páginas e se debruça não apenas no impacto da atividade no efeito estufa. Fala também da poluição da água e o encolhimento de florestas, com a respectiva perda de biodiversidade, para ampliar a pecuária. Na Amazônia, 70% do que foi desmatado teve esse fim.

Corte facilitado

O pesquisador Paulo Barreto, do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia, diz que a exportação de carne brasileira pulou de 5% a 25% em uma década, crescimento só permitido pelo aumento do gado na Amazônia para atender à demanda interna. Ele lembra, contudo, que subsídios diretos e indiretos para o setor alimentaram uma pecuária sem planejamento, com derrubada desnecessária de árvores, e de baixo rendimento na região.

A situação tende a se agravar com o enriquecimento. Se hoje o chinês come cerca de 5 quilos por ano de carne vermelha, seu consumo tende a aumentar na mesma proporção que o seu rendimento – nos Estados Unidos, por exemplo, o consumo é de 43 quilos. Segundo a FAO, a produção mundial de carne entre 1999 e 2001 foi de 229 milhões de toneladas. A projeção para 2050 é de 465 milhões. Explosão similar é esperada para a produção leiteira: de 280 para 1,043 bilhão de toneladas no mesmo período.

O documento é cheio de superlativos. O setor sustenta 1,3 bilhão de pessoas no mundo e responde por 40% da produção agrícola mundial. Além de pasto, o gado também pede que mais terra seja destinada à produção de ração – atualmente esse índice é de 33% de toda a área cultivada no planeta.

Para Steinfeld, mudanças devem ser implantadas agora para evitar uma crise futura: “O custo ambiental pro cada unidade de produção pecuária tem de cair para a metade, apenas para impedir que a situação piore”.

10-Abr-2006 Greenpeace lança simultaneamente no Brasil, na Europa e nos EUA estudo que aponta a expansão da soja como principal culpada pelo desmatamento da Amazônia. Campanha da ONG quer constranger empresas européias a não comprar, e consumidores a não comerem alimentos derivasdos da soja amazônica. McDonald’s foi alvo principal.

SÃO PAULO – A Campanha Internacional de Florestas do Greenpeace lançou nesta quinta (6), de forma simultânea na Europa, nos EUA e no Brasil, um relatório resultante de três anos de investigação que aponta não mais a indústria madeireira, velha vilã do desmatamento, mas a expansão da soja como principal vetor da destruição da floresta amazônica no Brasil.

O estudo, que incluiu várias expedições ao arco do desmatamento – região que se estende do sul do Pará ao norte do Mato Grosso, incluindo áreas do Tocantins, Maranhão e Rondônia -, entrevistas com comunidades afetadas e análise de imagens de satélite, avançou para além do registro da devastação e dos impactos sócio-ambientais. Com o objetivo de cobrir todos os aspectos da cadeia da soja da Amazônia, foram colhidos dados sobre exportação, comercialização e processamento da soja, incluindo o monitoramento de navios para o mercado internacional e o destino final do produto, os alimentos consumidos pela população européia.

Segundo a ONG, o relatório, que, no Brasil, se concentra na ação de três das maiores multinacionais do agronegócio – Archer Daniels Midland (ADM), Bunge Corporation e Cargill -, traz “o retrato de uma indústria vigorosa e devastadora, e inclui novas evidências da responsabilidade das empresas norte-americanas e do papel involuntário de consumidores europeus na destruição da floresta, na grilagem de terras, expulsão de comunidades locais e uso de trabalho escravo na Amazônia”.

Na Europa, o estudo se concentrou no sistema de compra, distribuição e processamento da soja, e nas empresas envolvidas nesta cadeia.

AVANÇOS DA SOJA
O avanço da soja sobre a floresta amazônica, depois de ter tomado e destruído praticamente todo o cerrado do Centroeste brasileiro, teve um boom a partir de 2003, quando o mal da vaca louca na Europa multiplicou a demanda pelo grão para alimentação animal. Campeão nacional de produção de soja, o Mato Grosso, depois das áreas de cerrado, pôs abaixo grande parte da floresta amazônica do seu território, tornando-se também o campeão de desmatamento e queimadas (48% do total) em 2003.

Outro ponto focal do avanço da soja é o entorno das rodovias que permitem o escoamento da produção, como a BR 163, que liga Cuiabá, no MT, a Santarém, no PA, e que deve ser completamente asfaltada num futuro próximo, segundo promessas do Governo Federal.

“Oitenta e cinco por cento de todo o desmatamento ocorre nos 50 quilômetros de cada lado das rodovias. Nos últimos anos, a produção de soja ao longo da parte pavimentada da BR-163 saltou de 2,4 mil hectares em 2002 para mais de 44 mil hectares em 2005 – um crescimento de quase 20 vezes em três anos. Os grandes desmatamentos terminam junto com o asfaltamento da estrada, ao sul da divisa com o estado do Pará. Tanto a Cargill quanto a Bunge têm comprado soja de fazendas localizadas na área de influência da BR-163. Pior: Cargill, ADM e Bunge são parceiras no financiamento do projeto de US$ 175 milhões para pavimentar o restante da estrada, acelerando o acesso ao novo porto graneleiro construído ilegalmente pela Cargill em Santarém”, afirma o relatório do Greenpeace.

Também de acordo com o estudo da ONG, “uma segunda rodovia da soja, construída ilegalmente, se estende por 120 quilômetros, saindo da cidade de Feliz Natal, no Mato Grosso, até terminar de forma abrupta na fronteira oeste do Parque Indígena do Xingu. Tanto a Cargill quanto a Bunge construíram silos com capacidade para armazenar 60 toneladas de grãos nesta ‘estrada para lugar nenhum’. Além disso, oferecem crédito e mercado garantido para qualquer fazenda já desmatada na região.Nos dois últimos anos, mais de 40 mil hectares de soja foram produzidos perto desta estrada e o Greenpeace descobriu outros 99,2 mil hectares para venda na internet. Documentos mostram que tanto a Cargill quanto a Bunge estão comprando soja destas novas áreas. Análise das imagens de satélite mostram que os impactos da rodovia da soja devem se estender por mais de 1 milhão de hectares de florestas da região. Este número contabiliza apenas os impactos diretos do desmatamento. Os impactos indiretos produzidos por grandes quantidades de produtos químicos e pelo crescimento populacional devem ser ainda maiores”.

PASSIVO SOCIAL
Paralelamente ao estudo, o Greenpeace também realizou um documentário focado no impacto social da expansão da soja, principalmente na região Sul do Pará, onde, após a construção ilegal do porto graneleiro da Cargill em Santarém, e a promessa de asfaltamento da BR 163, o assédio de sojicultores sobre as comunidades locais, tradicionais e indígenas tem levado a recordes de conflitos de terra e assassinatos de trabalhadores rurais.

Na maioria dos casos, mostra o documentário, ocorre a expulsão – consentida ou violenta – dos pequenos agricultores de suas terras, incorporadas às fazendas de soja. Ao venderem seus sítios, com os recursos da transação os agricultores passam a viver nas periferias dos centros urbanos, como Santarém, aprofundando rapidamente o processo de favelização destas áreas. Mas também são cada vez mais comuns os ataques às famílias que se negam a vender, com ameaças de morte e destruição das casas.

No estudo, outro exemplo do passivo social da sojicultur apontado pelo Greenpeace são casos como o da Fazenda Membeca, no Mato Grosso, que, desde 2003, “tem promovido o desmatamento ilegal de mais de 8 mil hectares de florestas da Terra Indígena Manoki, e continua a desmatar novas áreas para expandir sua plantação de soja. Tanto a Cargill quanto a Bunge instalaram silos em Brasnorte e têm comprado soja da Fazenda Membeca”.

Fruto de uma parceria com a ONG Repórter Brasil, especializada na temática do trabalho escravo no país, o estudo do Greenpeace relata também os casos das fazendas Roncador, onde foram libertado, entre 1998 e 2004, 215 trabalhadores escravos, Vale do Rio Verde, onde os agentes federais encontraram 263 trabalhadores escravos em junho de 2005, Vó Gercy e Tupy Barão, todas no MT. Segundo as duas ONGs, as multinacionais Cargill e ADM continuaram comprando a produção destas fazendas mesmo depois do indiciamento por prática de trabalho escravo.

“COMENDO A AMAZÔNIA”
Ao mesmo tempo em que divulgou o relatório, chamado de “Comendo a Amazônia (eating up the Amazon)”, em vários países europeus e nos EUA, o Greenpeace lançou uma campanha na Europa que visa constranger as empresas que compram a soja da região, bem como a população que consome alimentos derivados. Segundo a ONG, isto não seria complicado, já que a rota da exportação é basicamente Santarém-Holanda, de onde ocorre a distribuição para o resto do continente.

A campanha exige que as empresas envolvidas no comércio de alimentos e ração animal devem garantir que não estão usando soja da Amazônia, e que grandes traders, incluindo a Cargill, ADM e Bunge, parem de comprar soja produzida na Amazônia e assinem o Pacto Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo. Também demanda que os bancos deixem de financiar empresas envolvidas no comércio de soja da Amazônia, e que os governos europeus apóiem as políticas públicas brasileiras de implementação de unidades de conservação na região.

Em relação aos consumidores, o Greenpeace investiu com sua conhecida criatividade contra a rede McDonald’s, cujos produtos de frango, principalmente na Inglaterra, são produzidos a partir da avicultura da empresa Sun Valley, concessionária da Cargill. No país, segundo a ONG, dezenas de frangos de dois metros de altura invadiram várias lanchonetes da rede e se acorrentaram às cadeiras. Na Alemanha, ativistas vestidos de Ronald McDonald’s segurando motosserras, protestaram nas lojas e na frente da sede européia do departamento de assuntos ambientais do McDonald’s.

“O McDonald’s está estimulando um comércio que está destruindo a Amazônia. A Floresta esta sendo derrubada para o plantio de soja que alimenta os animais da Europa. Toda vez que você dá uma mordida num Chicken McNugget, você pode estar mordendo um pedaço da Amazônia”, afirmou Pat Vendetti, coordenador do Greenpeace em Londres.

extinção
23/02/2008

A vida marinha poderá sofrer extinção em massa em poucas décadas se a pesca
intensiva, as mudanças climáticas, a acidificação da água, a poluição e o
desenvolvimento litorâneo não forem combatidos, segundo um relatório
apresentado nesta sexta-feira (22) pela ONU.

O relatório “In Dead Water” (“Em Águas Mortas”), elaborado por uma equipe de
cientistas por incumbência do Programa da ONU para o Meio Ambiente (Pnuma),
cujo 10ª conselho especial termina hoje, em Mônaco, traça um panorama
tenebroso.

“Há 65 milhões de anos, quando desapareceram os dinossauros, o mar estava
saturado de dióxido de carbono (CO2). Em poucas décadas, a partir de agora, a
água do mar será ainda mais ácida do que naquela época”. A afirmação pessimista
é de Ken Caldeira, da Universidade de Stanford, que, junto com outros cientistas
e o diretor-executivo do Pnuma, Achim Steiner, apresentou o relatório à
imprensa.

Steiner resumiu as ameaças que assolam os oceanos: a pesca intensiva e as más
práticas pesqueiras, como o arrasto e a pesca em profundidade, as mudanças
climáticas e a poluição litorânea. Segundo o diretor-executivo do Pnuma, “seria
uma irresponsabilidade culpar uma só delas, mas, em coro, farão com que em 30 ou
40 anos desapareça a indústria pesqueira e aconteça o colapso biológico dos
mares”.

O relatório indica que a metade das capturas pesqueiras do mundo acontece em
menos de 10% do oceano. É nesta área que se produz a maior parte da atividade
biológica de espécies consideradas chave na cadeia alimentar. Devido às
mudanças climáticas, “com o aumento de 3 graus na temperatura das águas
superficiais, mais de 80% dos corais – fundamentais na ecologia marinha – podem
morrer em décadas, entre 80% e 100% em 2080″, segundo o relatório.

A acidificação do mar, devido à dissolução de CO2 provocada pelo uso de
combustíveis fósseis, em poucas décadas danificará também os corais e outras
espécies que metabolizam conchas calcárias. Ainda segundo o relatório, o
desenvolvimento litorâneo “aumenta rapidamente” e há a previsão de que “atinja
negativamente 91% de todas as costas desabitadas até 2050, contribuindo
majoritariamente para a poluição do mar”.

As mudanças climáticas afetam negativamente “a circulação termoalina – grandes
correntes – e o fenômeno de fluxo e refluxo de água continental, crucial para
75% das pescas”. Em conjunto, a poluição litorânea e as mudanças climáticas
“acelerarão o desenvolvimento de zonas mortas, muitas delas próximas a
plataformas pesqueiras”.

O número de zonas mortas – regiões com hipóxia (falta de oxigênio) – aumentou de
149 em 2003 para 200 em 2006, afirma o relatório apresentado. “A pesca intensiva
e o arrasto de fundo estão degradando o habitat e ameaçando a produtividade e a
diversidade biológica. As áreas danificadas pelos arrastos levarão vários
séculos para se recuperar”, advertem os cientistas.

“Já existem projeções que indicam o colapso da indústria pesqueira como
resultado da superexploração, e é muito provável que esse colapso se antecipe,
como resultado de múltiplos fatores que atuam de forma combinada”, afirmaram os
cientistas em Mônaco.

Os fenômenos prejudiciais aos mares também incluem os efeitos causados pelas
mudanças climáticas na atmosfera, o degelo e o conseqüente aumento do nível do
mar, segundo os oceanógrafos. (JB Online)

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